Torturador da ditadura argentina (que também era picareta imobiliário) foi detido na Bolívia em blitz para caçar imigrantes ilegais
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Torturador da ditadura argentina (que também era picareta imobiliário) foi detido na Bolívia em blitz para caçar imigrantes ilegais

O ex-repressor, além de ter sequestrado e assassinado civis, era autor de fraudes imobiliárias e outras picaretagens.

arielpalacios

12 de agosto de 2014 | 13h45

O cartaz de “procura-se” que havia sido colocado para localizar o ex-toturturador da ditadura Jorge Horacio Páez Senestrari. O ex-repressor, além de ter sequestrado e assassinado civis, era autor de fraudes imobiliárias e outras picaretagens

O governo da Bolívia deportou no domingo à noite o ex-militar argentino Jorge Horacio Páez Senestrari, acusado de delitos contra a Humanidade durante a ditadura militar argentina (1976-83). O ex-militar havia sido detido na sexta-feira na região de Santa Cruz de la Sierra pela polícia boliviana, que estava realizando uma blitz buscando imigrantes estrangeiros ilegais nessa área do país. Para tentar evitar ser descoberto, o ex-torturador morava sozinho e somente saía de sua casa para comprar alimentos.

Uma comissão de autoridades bolivianas – lideradas pelo ministro do Interior Jorge Pérez – entregou o ex-oficial na cidade de Yacuíba, Bolívia, na fronteira com a Argentina, ao cônsul Ricardo Dinele. Ao ser transportado em avião a Buenos Aires, o ex-militar esbravejou: “não estão respeitando meus direitos humanos!”

Paez Senestrari foi denunciado pela primeira em 2008 por fraude a um grupo de pessoas em San Juan às quais havia vendido terreno de um loteamento e posteriormente havia revendido a outros. Convocado pelo juiz, Paez não compareceu aos tribunais, fato que levou o magistrado a uma ordem de prisão. Após sua detenção o juiz surpreendeu-se ao descobrir que o autor das fraudes imobiliárias tinha um passado de ex-torturador. Os terrenos da fraude pertenciam à “Condor Propriedades”.

Coincidentemente, o oficial havia participado do “Plano Cóndor”, denominação a operação regional de intercâmbio de prisioneiros políticos e de colaboração nas tarefas de repressão entre as diversas ditaduras do Cone Sul. Na época Paez Senestrari – capitão do Regimento de Infanteria de Montanha Número 22 – integrou um pequeno grupo de oficiais que entre 1976 e 1981, liderados pelo chefe de inteligência do Regimento, Jorge Olivera, assolou a província de San Juan, sequestrando estudantes, líderes sindicais e políticos locais. Vários integrantes dessa força-tarefa também foram acusados de estupros.

Em 2010 o ex-oficiaol foi colocado em prisão preventiva na penitenciária de Chimbas, em Mendoza. No entanto, foi liberado poucos meses depois graças à uma controvertida decisão da Câmara Federal de Justiça dessa província, quando um grupo de juízes que no passado havia colaborado com a ditadura, decidiu que Paez Senestrari e outros sete ex-repressores poderiam esperar o julgamento fora da prisão.

Em novembro de 2011, quando foi convocado novamente pela Justiça para ser julgado por diversos casos de invasão de propriedade privada, sequestro e torturas, Paez Senestrari já havia fugido.

Paez Senestrari, de 68 anos, poderia ser condenado a 25 anos de prisão por casos de violação de domicílio sequestro e torturas a líderes políticos e estudantis na província de San Juan, entre eles o atual governador José Luis Gioja. 

ASSASSINATOS – Segundo organismos de defesa dos Direitos Humanos argentinos e organizações internacionais, durante a ditadura, militares e policiais argentinos assassinaram ao redor de 30 mil civis. A maioria destas pessoas não tinha militância alguma na guerrilha.

No entanto, o número de desaparecidos catalogados pela Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas (Conadep), é de 10 mil pessoas.

Os militares admitem que assassinaram 8 mil civis (segundo declarações dos ex-ditadores Reynaldo Bignone e Jorge Rafael Videla)

Segundo os militares, a guerrilha assassinou 900 pessoas, a maioria dos quais militares e policiais.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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