Um boeing pelo tornozelo presidencial (o culpado: o líquido deslizante)
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Um boeing pelo tornozelo presidencial (o culpado: o líquido deslizante)

arielpalacios

29 de dezembro de 2014 | 00h35

BlogCristinaTornozelo

Acima, a presidente Cristina Kirchner no primeiro semestre deste ano com uma bota ortopédica, quando também teve um incidente com seu tornozelo esquerdo. Na ocasião teve um acidente no quarto de seu hotel em Roma. Dali seguiu para Paris, onde reuniu-se com o presidente Hollande. Gentleman, o líder francês deu-lhe a mão para – comme il faut – ajudá-la a chegar ao automóvel que esperava a presidente argentina.

blog1dedo4Nunca antes um tornozelo presidencial mobilizou tantos seguranças, médicos e até um boeing. Mas esse foi o caso do tornozelo esquerdo da presidente Cristina Kirchner, protagonista do noticíario argentino desde a sexta-feira. Nessa jornada, à noite, a presidente sofreu uma fratura nessa extremidade, causado por um “acidente doméstico” sobre o qual o governo argentino não forneceu explicações até esta 2afeira. Na hora do acidente Cristina estava em sua casa na cidade de Río Gallegos, capital da província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners desde 1991 na Patagônia. A presidente pretendia passar ali o fim de semana.

Após o acidente a presidente foi levada imediatamente ao hospital da cidade. No entanto, nesse estabelecimento – que há poucos anos foi apresentado pela própria presidente Cristina como um dos mais modernos do sul do país – não funcionava o aparelho para a realização de tomografias. Por este motivo Cristina foi colocada no Boeing presidencial “Tango 01” e levada para Buenos Aires, onde desembarcou em uma cadeira de rodas. Mas, o que mais chamou a atenção foi o assessório do outfit presidencial: óculos escuros às 23:30 horas.

O esquema de segurança no desembarque foi maior que o costumeiro. Do aeroporto a presidente foi levada para o elegante Hospital Otamendi.

“LÍQUIDO DESLIZANTE” – Nesta segunda-feira de manhã o chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, revelou o motivo do acidente que gerou a fratura do tornozelo da presidente: “a presidente teve um acidente doméstico em virtude de que não recebeceu a advertência sobre a aplicação de um líquido deslizante sobre o chão.  Isso provocou efetivamente uma queda e, em virtude disso, uma fratura”.

A presidente Cristina Kirchner ficará de molho na residência presidencial de Olivos até o dia 12 de janeiro.

Cristina cancelou uma reunião com a central sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a viagem para Roma, onde visitaria o papa Francisco em conjunto com a presidente chilena Michelle Bachelet.

Em novembro a presidente foi internada no Otamendi por uma infecção no sigmoide, uma área do cólon. Na ocasião Cristina Kirchner ficou três semanas de repouso.

Em outubro de 2013 Cristina foi submetida à uma operação no crânio para drenar um hematoma causado por um traumatismo cuja origem (e tamanho) nunca foi explicada pelo governo Kirchner.

Em 2012 a presidente foi operada da tireoide. Na ocasião o governo havia anunciado de forma categórica que a presidente tinha câncer nessa glândula. Mas, após a cirurgia a Casa Rosada teve que admitir que não havia câncer algum. O evento foi batizado pela ácida ironia portenha de “o não-câncer de Cristina”. Além disso, a presidente Cristina sofre desmaios com frequência.

blog1dedo4baixoPara embalar esta jornada vamos com “Come fly with me”. Frank Sinatra no gogó:

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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