Um cruzador Classe Portland anual de dejetos caninos nas ruas de Buenos Aires
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Um cruzador Classe Portland anual de dejetos caninos nas ruas de Buenos Aires

arielpalacios

18 Setembro 2011 | 18h14

Ilustração acima mostra um cruzador americano da Segunda Guerra Mundial, da Classe Portland. Seu peso em toneladas era quase equivalente ao peso do esterco canino deixado a cada ano (ou “bombardeado”) nas ruas da cidade de Buenos Aires.

O governo da cidadede Buenos Aires anunciou que, diariamente os cães portenhos deixam nas ruas da capital do país uma média de 35 toneladas de dejetos …ou, 12.775 toneladas por ano, superior em 20% ao peso da Torre Eiffel… ou ainda, um pouco mais que o peso de um cruzador da Classe Portland, da Segunda Guerra Mundial.

O volume de esterco canino bombardeado diariamente nas artérias portenhas equivalea 2,85 quilos por quarteirão.

Segundo as estimativas da prefeitura de Buenos Aires existem na cidade 450 mil cães, o equivalente a um cachorro para cada seis habitantes da cidade.

Embora seja obrigatória para os donos dos cães a limpeza da matéria fecal que fica em via pública, a maioria das pessoas – entre elas, os “passeadores de cachorros” (pessoas contratadas para levar os cachorros a um passeio diário nas ruas) – não cumpre a norma e deixam em via pública esses depoimentos viscerais caninos.

Passeadores de cachorros são um clássico da paisagem portenha. Paixão dos habitantes pelos canis lupus familiares é uma marca portenha.

As autoridades alertaram para o perigo de doenças que podem surgir decorrentes de pelo menos um terço dos excrementos dos “melhores amigos do homem” nas ruas de Buenos Aires.

Paradoxalmente, a maior falta de higiene ocorre no elegante bairro da Recoleta e em diversas áreas do bairro de Palermo, considerado o “point” fashion da capital argentina,onde os resultados das vísceras caninas são mais ostensivos do que nos outros bairros da cidade.

As multas para as pessoas que não recolhem as fezes de seus cachorros em Buenos Aires não acompanham a inflação, pois estão há três anos paradas em um valor equivalente a US$ 57, muito abaixo de cidades como Nova York, onde a multa é de US$ 200.

O governo tenta driblar o problema das fezes caninas com instalação de áreas para cachorros em parques e praças. O atual prefeito, Mauricio Macri, já instalou 25 setores destinados ao lazer canino – com o simultâneo uso de banheiro ao ar livre – desde 2007. O plano do governo municipal, reeleito em julho passado, é o de instalar outras 15 áreas para cães.

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Dois cruzadores da Classe Portland (o mesmo navio fotocopiado, o “Indianapolis”): essa era a média de dejetos caninos na via pública em B.Aires há meia década. De lá para cá houve uma redução da “corrida armamentista”…

Gradual, mas lentamente, a consciência sobre a necessidade de limpeza dos dejetos caninos cresce nos corações e mentes (e sola dos sapatos) dos portenhos: há meia década os cães da cidade deixavam nas ruas, por ano, quase o equivalente a dois cruzadores da Classe Portland.

De Queóps à Recoleta: passeadores de cães egípcios do ano 3.000 a.C.

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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