Conexão Raqqa-Buenos Aires. Ou, um novo inimigo para Cristina Kirchner: o Estado Islâmico também a ameaça
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Conexão Raqqa-Buenos Aires. Ou, um novo inimigo para Cristina Kirchner: o Estado Islâmico também a ameaça

arielpalacios

22 de setembro de 2014 | 07h34

Cristina Kirchner, alvo – segundo a própria presidente – do Califado que expande-se nos cafundós do norte do Iraque. Na foto, Cristina em visita ao sumo pontífice neste fim de semana.

A presidente Cristina Kirchner tornou-se a primeira chefe de governo da América Latina a ser ameaçada de morte pelo Estado Islâmico. Isso é o que indicam as declarações da presidente argentina, que sustentou que “há alguns dias” dois delegados da Polícia Federal e um da Polícia Bonaerense alertaram que Cristina foi ameaçada pelo grupo extremista.

A revelação foi feita no sábado, depois de almoçar com o papa Francisco no Vaticano. Cristina explicou que tornou-se alvo do Califado por sua amizade com o sumo pontífice – um portenho do bairro de Flores – e “pela defesa argentina da existência dos Estados de Israel e Palestina”. O caso está sendo investigado pela Secretaria de Inteligência do Estado.

No entanto, Cristina Kirchner sustentou que não tem medo das ameaças do Estado Islâmico, instalado nos cafundós do norte do Iraque e leste da Síria, que instalou a capital na cidade de Raqqa. Cristina também indicou que sequer terá um reforço de sua segurança. Segundo ela, se as ameaças a preocupassem, “teria que viver embaixo da cama”.

CONSPIRADORES – O anúncio de Cristina acrescenta o Estado Islâmico a uma longa lista de entidades que “ameaçam” o governo Kirchner. Nas últimas semanas a presidente e seus ministros acusaram de “conspirar” contra a Casa Rosada – com o objetivo de “desestabilizar” seu governo – setores tão diversos como a companhia aérea American Airlines, os produtores agropecuários, os sindicatos peronistas não-alinhados, a imprensa, os partidos da oposição e grupos sociais vinculados a militantes trotskistas, além das montadoras de automóveis instaladas na Argentina.

Na lista de “inimigos mortais” da Casa Rosada também estão os fundos hedge americanos. Um deles, o NML, do financista Paul Singer, exige na Justiça em Nova York o pagamento de 100% do valor nominal dos títulos da dívida pública argentina que possui, que estão em estado de calote desde 2001. O juiz de Manhattan, Thomas Griesa, que ordenou à Casa Rosada pagar o NML, também é acusado pela Casa Rosada de tentar desatar uma crise da dívida reestruturada argentina e gerar uma disparada da cotação do dólar.

O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires, Kevin Sullivan, também entrou na longa lista de conspiradores contra a Argentina. Segundo a chancelaria em Buenos Aires, Sullivan colaborou no suposto “ataque especulativo” que a Argentina sofre atualmente, segundo o ministro da Economia Axel Kicillof (Sullivan havia declarado no início da semana que “é importante que a Argentina saia do estado de calote o mais rápido possível”). Na quinta-feira Cristina sustentou que o ex-secretário de Comércio do governo de George W.Bush, Carlos Guitiérrez, informou sobre um “plano de cinco pontos” para atacar a Argentina na área de câmbio.

E, mudando de assunto, já que começa a primavera, vamos com a “Primavera Portenha” de Astor Piazzolla:

Mais primavera: Sonata Primavera, de Ludwig van Beethoven. Com Argerich & Kremer:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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