Vice de Cristina Kirchner prestou depoimento por documentos forjados de carro de luxo
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Vice de Cristina Kirchner prestou depoimento por documentos forjados de carro de luxo

arielpalacios

23 de julho de 2014 | 20h26

Boudou, um amante dos automóveis e motocicletas cumprimentava em 2010 pilotos de corrida argentinos durante evento esportivo. Nos últimos meses Boudou, que transformou-se em um peso morto para o governo, está ausente da maioria de cerimônias públicas.

O vice-presidente argentino Amado Boudou compareceu nesta quarta-feira ao edifício dos tribunais no bairro portenho de Retiro para prestar depoimento sobre a suposta falsificação de documentos da compra de um automóvel de luxo nos anos 90. Boudou entrou pela garagem, esquivando a imprensa que o esperava. Acompanhado por um forte esquema de segurança, entrou no edifício dos tribunais, onde esteve apenas 15 minutos. O vice entregou ao juiz federal Cláudio Bonadío seu depoimento por escrito. Na sequência, partiu, saindo por uma porta lateral do prédio, fora do alcance dos jornalistas.

Na última ocasião na qual compareceu aos tribunais, em junho passado, Boudou contou com a presença ostensiva de militantes kirchneristas para dar-lhe respaldo. No entanto, nesta quarta-feira nenhum grupo concentrou-se na frente dos tribunais para dar “vivas” ao vice.

Analistas interpretaram essa ausência de militantes e faixas de apoio como um sinal do crescente isolamento do vice dentro do governo Kirchner.

Boudou está na mira do juiz Bonadío pela suspeita de ter alterado a data da compra do carro Honda CRX conversível com o objetivo de não dividir esse bem com sua ex-mulher Daniela Andriuolo durante o processo de divórcio. Boudou comprou o automóvel em 1993 e divorciou-se no mesmo ano. No entanto, nos documentos forjados a data da compra é outubro de 1992, momento no qual esse carro importando ainda estava em um navio proveniente do Japão rumo ao porto de Buenos Aires.

Boudou, no depoimento que entregou por escrito, afirma que é inocente e coloca a culpa das irregularidades no despachante que havia contratado para comprar o veículo.

No entanto, o maior problema de Boudou na Justiça é seu processo, iniciado no dia 27 de junho pelo juiz federal Ariel Lijo, que sustenta que o vice foi subornado com a entrega de 70% das ações da gráfica Ciccone.

Em troca do suborno Boudou usou sua influência para esquivar dívidas que a empresa tinha com o Fisco. Além disso, para obter um contrato terceirizado de impressão de notas de 100 pesos, Boudou – que na época era ministro da Economia – cancelou o plano de compras de maquinaria moderna da Casa da Moeda para aumentar sua capacidade de impressão de cédulas.

O juiz Lijo considera que o diretor da empresa, Alejandro Vanderbroele, era na realidade o testa-de-ferro de Boudou. O vice afirma que não conhece o empresário, embora a Justiça tenha descoberto que o Vanderbroele paga o condomínio e a TV a cabo de um apartamento de Boudou no bairro de Puerto Madero, o mais caro da Argentina.

Boudou transformou-se no primeiro vice-presidente da História da Argentina a ser processado na Justiça. O vice, segundo várias pesquisas, é o mais impopular dos integrantes da administração Kirchner. Nos últimos meses governadores e parlamentares evitam aparecer ao lado dele em fotografias devido à sua má imagem.

O vice, que há quatro anos era chamado pela presidente Cristina de “esse rapaz estupendo”, também acumula investigações na Justiça por suspeitas de enriquecimento ilícito e tráfico de influências.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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