Vinho adquire status de “bebida nacional” na Argentina
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Vinho adquire status de “bebida nacional” na Argentina

arielpalacios

27 de novembro de 2010 | 00h50

Taça de torrontés da adega Colomé, na província de Salta (foto de Ariel Palacios)

“É elemento básico da identidade argentina!”. Com esta exclamação a presidente Cristina Kirchner declarou o vinho como a “bebida nacional” oficial da Argentina. O anúncio sobre o vinho – produto que representa 1,37% do PIB argentino – foi realizado durante uma cerimônia com toda pompa no antigo palácio dos Correios. Desta forma, o vinho argentino passará a ter respaldo oficial e estará presente nas embaixadas e consulados argentinos, eventos governamentais internacionais, além de receber diversos estímulos para a expansão das exportações. “O vinho tem a ver com a cultura de nosso povo”, disse a presidente, que também recomendou – em tom professoral – “beber com moderação”.

A Argentina é quinto maior produtor mundial de vinho, com 1,375 bilhão de litros. Além disso, é o sétimo maior exportador, com 230 milhões de litros. “Só não exportamos mais porque temos um mercado interno muito poderoso”, disse a presidente Cristina. Entre os cinco principais mercados de exportação estão os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Grã-Bretanha e Holanda.

O país está no nono lugar em superfície cultivada, com 228 mil hectares. A produção vinícola está concentrada nas províncias de Mendoza, San Juan, Salta, La Rioja, Catamarca, Neuquén e Río Negro. O setor emprega 400 mil pessoas de forma direta e indireta.

No total, existem 400 adegas argentinas disputam o mercado para colocar 3.500 marcas.

Nos primeiros dez meses deste ano as vendas de vinho foram de US$ 2,63 bilhões.

O ministro da Agricultura, Julián Domínguez, afirmou que o volume comercializado neste ano foi de 1,3 bilhão de litros. Do total, 77% foi vendido no mercado interno, enquanto que 23% foi exportado.

AUGE DO MALBEC – No quesito consumo de vinho a Argentina está no sétimo posto no ranking mundial. Em média cada argentino bebe 26,7 litros anuais, segundo dados do Instituto Nacional de Vinícolas. O volume registra uma queda em comparação com o ano 2000, quando os argentinos bebiam 37,7 litros per capita. “Menos, mas melhor qualidade” afirmam os donos das adegas.

Nos últimos anos cresceu a preferência pelos tintos, que passaram de 71% das vendas no mercado interno em 2004 para 77% do total neste ano, segundo uma pesquisa da consultoria CCR elaborada para o Fundo Vinícola. Entre os tintos, as preferências dos argentinos focalizou-se no Malbec e no Cabernet Sauvignon.

A venda dos Malbec disparou em 122% em volume entre 2004 e 2010. Atualmente esta uva representa 21,6% do total de litros de vinho tinto. Há seis anos representava 10,4% do consumo argentino.

O Cabernet Sauvignon está nos calcanhares do Malbec, pois passou no mesmo período de 11,7% para 18%.

 

A cômica campanha para o consumo do vinho de 2008, aqui

… e aqui.

E esta publicidad dos vinhos Hereford, um spot com um inesperado desfecho, aqui.

Outro, em tom de humor, do vinho Toro, aqui.

Libertango, de Astor Piazzolla, com o “Cello project”, aqui. 

Outra vez Libertango, mas com Yo Yo Ma no cello e Néstor Marconi no bandoneón. Aqui. 

Do grupo satírico musical “Les Luthiers”, uma composição do eterno Johann Sebastian Mastropiero (o alter ego do grupo): “Candonga de los colectiveros” (uma ácida visão dos portenhos motoristas de ônibus). Aqui. 

E nada a ver com tango, mas com duas terras-mães da Argentina, a Espanha e a Itália. Ergo, temos de Luigi Boccherini a ‘Ritirata notturna di Madrid’. Aqui.

E para encerrar, uma tirinha de Quino, com o preguiçoso Felipe. Bom fim de semana a todos!

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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