China mostra músculos para Obama e as costas para o mercado
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China mostra músculos para Obama e as costas para o mercado

Felipe Corazza

23 de abril de 2014 | 10h16

REPRODUÇÃO/CHINA DAILY

Obama em charge publicada no dia 15 pelo jornal China Daily (Reprodução/China Daily)

Enquanto o presidente americano, Barack Obama, pousava hoje no Japão para o início de um giro pela Ásia que não incluirá visita a Pequim, a China iniciava um exercício militar conjunto com outros sete países no Mar do Leste, na costa de Qingdao. O “comitê de boas vindas” a Obama organizado pela Forças Armadas chinesas tenta mostrar ao presidente americano um retrato do cenário que ele enfrenta ao tentar aprofundar a orientação asiática de sua política externa. Os chineses convidaram Bangladesh, Paquistão, Cingapura, Indonésia, Índia, Malásia e Brunei para a festa.

Obama passará dois dias no Japão de Shinzo Abe, primeiro-ministro que tem como um dos pilares de seus esforços de governo uma ampliação do poderio militar japonês e mudanças profundas na legislação pacifista do país. Antes de partir para a região, o presidente americano fez questão de reafirmar o compromisso dos EUA em defesa conjunta na questão das ilhas Diaoyu/Senkaku, de posse do Japão e reivindicadas pelos chineses.

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As expressões de descontentamento de Pequim com a presença de Obama foram levadas à luz do dia, também, nos textos oficiais. O jornal People’s Daily, principal voz do regime chinês, publicou editorial contundente sobre a visita, criticando a estratégia adotada por Washington há três anos para um reforço na aproximação com a Ásia. Os chineses avaliam que os aliados americanos não confiam plenamente nos compromissos de Obama e que o chamado “pivô para a Ásia” adotado pelo governo dos EUA é produto de uma “mentalidade da Guerra Fria”.

Tensões estratégicas à parte, a notícia ruim mesmo para o Ocidente no dia veio de outro front chinês. A Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma do país, principal organismo de planejamento econômico, assegurou que não haverá plano de estímulo de grande porte, contrariando expectativas de parte do mercado internacional. A China mantém a perspectiva de um crescimento de 7,5% do PIB para 2014, perto da meta estabelecida pelo Plano Quinquenal lançado em 2012. A informação foi publicada pela agência oficial de notícias Xinhua.

Em 2008, diante da crise desencadeada pelos EUA no mundo, Pequim lançou um enorme plano de estímulo voltado, principalmente, para a construção civil, movimentando o mercado de commodities e dando oxigênio a parte da economia mundial diante do caos. Dessa vez, porém, a desaceleração chinesa está dentro do desejado pelo governo central, apesar dos sobressaltos e da inflação levemente acima do esperado.

O Brasil é grande interessado e um plano de estímulo chinês, ainda que em porte muito menor do que o lançado em 2008, melhoraria o cenário para as exportações de minérios e outros insumos para construção. Por enquanto, ao menos, nada feito.

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