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Nas buscas pelo voo MH370, novos sinais da disputa China x EUA

Felipe Corazza

14 de abril de 2014 | 11h48

O presidente chinês, Xi Jinping, recebeu em Pequim, no sábado, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, e exaltou a cooperação entre os países nas buscas pelo voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido desde o início de março.

A mensagem da reunião entre Xi e Abbott, no entanto, vai muito além da questão prática da busca dramática pelo Boeing 777. Desde 2011, quando os EUA anunciaram a intenção de enviar tropas para exercícios militares conjuntos com os australianos, a China tem tomado medidas estratégicas para tentar minar os esforços do governo Obama em reforçar sua presença na região. A partir da segunda eleição de Obama, a estratégia de voltar os olhos para a Ásia se intensificou. Em 2013, 20 mil soldados desembarcaram nas bases australianas para tais atividades conjuntas.

Com a ascensão de Xi ao poder, durante o 18º Congresso do Partido Comunista, e a entrada em vigor do novo Plano Quinquenal chinês, o avanço na direção de tornar-se uma potência marítima regional – vontade expressa claramente nos termos do plano de Pequim – aumentou. A China reforçou a busca de incrementos nas relações com seus vizinhos mais relevantes, na mesma proporção em que endureceu o discurso e as ações em disputas como a das ilhas Diaoyu/Senkaku com o Japão.

A cooperação com a Austrália nas buscas pelo MH370 foi o ponto mais destacado pelos líderes, mas Xi Jinping declarou, no mesmo encontro, que a pretensão é “ampliar os intercâmbios e a cooperação nas áreas militar, de combate ao crime transnacional e setor cultural”.

Para além do mero discurso padrão diplomático, a intenção chinesa de solidificar uma relação estável com os australianos sinaliza com mais força na direção do “colchão de influências” que Pequim tenta estabelecer para, na impossibilidade de neutralizá-los, minimizar o quanto possível os impactos locais do claro direcionamento asiático da política externa do governo Obama

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