200 cartões a R$ 10

Cláudia Trevisan

12 de março de 2008 | 13h42

É espantoso como algumas coisas são baratas na China. Eu acabo de pagar o equivalente a R$ 10 por 200 cartões de visita, que foram entregues na minha casa às 19h30 do DOMINGO, sem nenhum custo adicional. Os cartões são impressos nas duas faces, em inglês e chinês, e uma delas está em alto relevo. Outros serviços são ainda mais baratos. A passagem de metrô custa R$ 0,50 e a de ônibus, R$ 0,25. É possível comer em restaurantes chineses por R$ 4,00 e comprar jornais por R$ 0,30. Mesmo com reajustes nos últimos dois anos, os táxis continuam baratos e uma corrida do aeroporto ao centro sai por menos de R$ 25,00. Mais que tudo, a mão-de-obra barata é abundante. Os supermercados têm dezenas de funcionários e não é raro haver três ou quatro em um único corredor. No Wal-Mart, há uma pessoa encarregada só de entregar os carrinhos para os clientes, ainda que eles estejam à disposição de todos logo na entrada.
Mas a inflação está em alta e o rápido crescimento provocou uma imensa disparidade de preços relativos. Os R$ 4,00 que compram uma refeição chinesa não são suficientes para pagar um café duplo na rede norte-americana Starbucks, que sai por R$ 4,60. Com a proximidade da Olimpíada, os aluguéis bateram recorde de saltos e um apartamento de dois quartos e um banheiro em uma região nobre custa R$ 2.500 por mês _sem área de serviço, amenidade que é rara aqui na China. O apartamento em que vivo tem uma sala e um quarto enormes, mas não há um mísero espaço para pendurar roupas. A saída é apelar a uma secadora, estender a roupa em um varal improvisado no quarto ou aderir à moda chinesa e pendurar a roupa na varanda ou na janela. Nunca pensei que fosse ter tanta saudade do meu tanque.

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