A China que eu vejo da janela

A China que eu vejo da janela

Cláudia Trevisan

15 de abril de 2008 | 12h08

Quando comecei a tirar as fotos deste post, tinha a idéia de mostrar a Pequim onde eu vivo, quase como uma redação infantil sobre a viagem a um lugar distante. Mas na medida em que fui fazendo as imagens, percebi que via das minhas janelas uma crônica da espetacular transformação na qual a China está mergulhada e dos problemas que a acompanham.
Eu moro no mesmo condomínio onde vivi entre março de 2004 e março de 2005, na minha primeira passagem pela China. Nos três anos que se passaram desde então, a paisagem a meu redor mudou de maneira radical. Quando cheguei em 2004, meu condomínio ainda estava em construção e me instalei em um dos poucos prédios já prontos. A rua que vocês verão nas fotos abaixo tinha apenas uma mão em cada direção e o movimento de carros não era nem uma sombra do atual. Em frente a meu condomínio se iniciava um mega-complexo imobiliário, com sete edifícios residenciais, três torres comerciais e um shopping de luxo. No ano em que fiquei aqui, vi os sete prédios residenciais ficarem quase prontos. Agora, o shopping e as torres estão funcionando a todo o vapor.
O condomínio que estava em construção atrás do meu também foi concluído e surgiram duas outras torres comerciais a algumas quadras. A pequena rua que dividia meu condomínio em duas partes se transformou em uma longa e larga avenida, que se espalha por várias quadras. O prédio que existia quase na perpendicular do meu condomínio foi demolido e deu lugar a uma das centenas de construções de Pequim.
A cidade que era o reino das duas rodas hoje tem mais carros que bicicletas _3,3 milhões contra 2,4 milhões. A cada dia, 1.000 novos veículos se agregam à frota de Pequim. O resultado são congestionamentos crescentes e uma contribuição considerável à já preocupante poluição. Há dias lindos de céu azul em Pequim e eles são cada vez mais numerosos. Mas existem dias como hoje, em que a névoa e a poeira impedem uma visão nítida de tudo que esteja distante.
Minha janela também me faz lembrar que Pequim vai sediar os Jogos Olímpicos daqui a 115 dias. No enorme telão digital que cobre quase toda a fachada do shopping, vejo todos os dias a contagem regressiva para o dia 8 de agosto de 2008, quando a Olimpíada começará.
Aí vão as fotos (peço perdão novamente pelas que estão na horizontal, mas com a diferença de fuso horário, não tive tempo para resolver o problema técnico com o pessoal de São Paulo):

Havia outro prédio no lugar do que está em construção na primeira vez em que morei aqui.

Essas torres de escritório e shopping ainda estavam em construção há três anos
torres2

Detalhe do shopping de luxo em frente ao meu condomínio
Shopping em frente de casa

Alguns dos sete edifícios do novo condomínio construído em frente ao meu; em destaque a chaminé de uma das usinas de energia de Pequim, movida a carvão.

Trânsito na hora do rush e edifício que certamente será demolido em breve
Trânsito na hora do rush e edifício que certamente será demolido em breve

Vista do outro lado do meu apartamento, com visão de parte do condomínio e construções ao fundo
Visão da janela oposta

Congestionamento noturno em frente à minha janela.

Contagem regressiva para a Olimpíada no enorme telão que cobre a faixada do shopping.
Contagem regressiva

A contagem regressiva em inglês.
Contagem regressiva em inglês

Nova imagem no telão, que se apaga às 22h.
Novo desenho no telão, que se apaga às 22h.

O bucólico pátio interno do meu condomínio.
Pátio interno.

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