A China quer ser fashion

A China quer ser fashion

Cláudia Trevisan

29 de junho de 2008 | 09h24

A visita a qualquer banca de jornal da China revela que a parcela da população com uma conta bancária ligeiramente superavitária quer aprender a ser “cool”, ter estilo e estar na moda. O que mais vende no país são as revista que dão às mulheres _e aos homens_ uma bússola para se mover em um universo no qual a aparência e os símbolos de status têm influência crescente nas relações sociais. Em razão da estrita censura do governo, revistas semanais como “Veja” e “Época” não têm sucesso na China. Há uma ou outra que resumem as notícias da semana, mas o conteúdo político é totalmente oficialesco. As revistas que se dedicam à economia, finanças e a números supostamente desprovidos de conotação política têm tiragem e respeitabilidade maior.

Mas o que tem apelo mesmo é o mundo da moda e das celebridades. A brasileira Gisele Bündchen está na capa da “Vogue” chinesa de julho, vendida por 20 yuans, o equivalente a R$ 5. Madonna estampa a “Elle”, enquanto o ator Tony Leung, do filme “Lust Caution”, divide a capa da “Marie Claire” com a modelo taiwanesa Lin Zhi Ling. O vendedor da banca em frente à minha casa disse que vende entre 20 a 30 exemplares de “Vogue” por mês e apenas cerca de 5 ou 6 da “Oriental Outlook”, uma das revistas semanais. Em outra banca, a vendedora informou que vende cerca de 60 números de “Vogue” a cada mês e entre 30 e 40 de “Caijing”, a principal revista financeira do país.

As chinesas também compram a “Cosmopolitan” _nome internacional de “Nova”_, que tem a mesma linha que a versão brasileira, centrada em sexo, carreira e táticas para agarrar o homem ideal. O primeiro item do índice da edição de julho era “estrelam falam de luxúria e moda”.

A busca de estilo não está restrita às mulheres e há várias revistas destinadas aos homens. Entre elas, a versão chinesa da “Bazaar Man´s Style”. Na capa de julho, está Li Ning, o ex-atleta que enriqueceu depois de criar sua própria grife de materiais esportivos. Nas 218 páginas da revista, uma profusão de anúncios de marcas de luxo e reportagens sobre carros, Olimpíada, esportes, estilo, moda, consumo e decoração. Os homens chineses não podem comprar revistas pornográficas, vetadas pela censura, mas têm à disposição títulos que trazem mulheres em fotos sensuais, mostradas normalmente em ensaios de moda e consumo, como a “For Him Magazine”. A China é o único país do mundo em que os homens consomem mais produtos de luxo que as mulheres (para mais detalhes, leiam minha reportagem publicada hoje no caderno de Economia do Estadão).
Outro sucesso de vendas são as revistas de fofocas. Como em qualquer lugar do mundo, os chineses também querem conhecer os detalhes da vida de seus ricos e famosos. As revistas falam sobre casamentos feitos e desfeitos, flertes, traições, triângulos amorosos e sexo. Os personagens são as novas celebridades da China e das vizinhas Hong Kong e Taiwan, de onde vêm muitos dos artistas que fazem sucesso no país.
Aí vão algumas fotos das revistas chinesas:

Detalhe de banca de revista em Pequim
Banca de revistas

Detalhe de banca de revista em Pequim
Banca de revistas

Capas de algumas edições de julho de revistas de moda
Capas

Duas das revistas masculinas
Masculinas

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