A dor da distância

Cláudia Trevisan

10 de dezembro de 2008 | 19h28

Entre as dores de morar do outro lado do mundo, nenhuma é tão exaustiva quanto encarar a viagem de quase 30 horas que separa Pequim de São Paulo. O esgotamento é agravado pela confusão gerada por uma diferença de fuso horário de 11 horas, que força nosso pobre organismo a inverter o ritmo a que estava acostumado e passar a dormir quando há menos de dois dias ficava acordado e pedir deseperadamente uma cama, ainda que lá fora faça um sol de meio-dia. Durante a viagem, é difícil saber quando acaba um dia e começa o outro e a qual deles pertence aquele jantar (ou será almoço?) que a comissária de bordo coloca à sua frente. As horas intermináveis dão a sensação de que há um excesso de refeições no mesmo dia, com dois almoços ou jantares ou dois cafés-da-manhã, servidos às vezes no fim da tarde.
Desta vez vim pelos Estados Unidos, com escala em Nova Iorque, andando contra o tempo. Por uma dessas maravilhas provocadas pelo avanço tecnológico, sai de Pequim na terça-feira, às 17h, e cheguei em Nova Iorque na mesma terça-feira, às 17h30. Apesar de ter passado 13 horas dentro de um avião, ainda estava no mesmo dia que havia começado na China, com apenas 30 minutos a mais. Mas terei que devolver o tempo que ganhei quando voar de volta e chegar a Pequim dois dias depois de ter embarcado em São Paulo.

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