A educação como valor

A educação como valor

Cláudia Trevisan

08 de dezembro de 2010 | 10h57

A China não deixa de assombrar o mundo. A mais recente façanha do país que abriga 20% da humanidade foi alcançar o primeiro lugar no teste que avalia a capacidade de alunos do segundo grau em provas de leitura, ciência e matemática, deixando para trás 64 nações, incluindo todo o time dos ricos. O Brasil não passou da 53ª posição e, em tese, teria muito que aprender com Xangai, a única cidade da China onde o teste foi realizado.

É claro que há investimento em educação, treinamento e valorização dos professores. Mas parte significativa da performance dos chineses se deve a questões culturais e ao valor absoluto dado à educação pela sociedade e as famílias. Já viajei muito pela China e estive em vilas rurais pobres, que não tinham água encanada nem saneamento básico. Apesar disso, todos os pais que entrevistei mantinham seus filhos na escola. E olha que a educação na China, mesmo básica, não é gratuita. A situação está mudando no campo, com a isenção ou redução drástica das anuidades, mas poupar para garantir o estudo dos filhos é prioridade na vida de todos os pais chineses.

Pode-se argumentar que a realidade de Xangai não reflete a situação de toda a China, que é enorme e extremamente diversa. Com a maior renda per capita do país, a cidade tem um índice de analfabetismo de 3,81%, comparado a uma média nacional de 7,10%.

Mas o valor dado à educação é generalizado. Em parte isso reflete o confucionismo e sua ênfase no estudo permanente e no mérito. Não por acaso, outras sociedades fortemente influenciada pela filosofia obtiveram bons resultados no exame, como Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura e Japão, todas entre os dez primeiros colocados.

As crianças chinesas dedicam quase todo o seu tempo aos estudos e permanecem na escola das 8h às 16h, todos os dias. Quando chegam em casa, se dedicam às tarefas, muitas vezes sob supervisão dos pais. Os de famílias mais abastadas ainda têm aulas particulares de inglês, matemática ou música.

A política de filho único também desempenha um papel importante na performance dos estudantes. Os “pequenos imperadores” sofrem pressão constante dos pais para estudarem e garantirem um futuro promissor. Porém mesmo na zona rural, onde as famílias normalmente têm mais de um filho, a exigência dos pais é grande. A educação também é encarada como responsabilidade de toda a família e é comum ver avôs e avós esperarem os netos na saída de escolas chinesas.

A seguir estão algumas fotos de estudantes na zona rural:

Estudantes voltam em fila para casa em vila rural de Henan

 

Filhos de camponeses na saída de escola em Henan

Avô busca neto na escola

Saída da escola em vila rural de Hebei

Crianças voltam da escola com pais e avós, em vila de Hebei

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