A moeda internacional chinesa 2

Cláudia Trevisan

10 de abril de 2009 | 04h13

A China deu mais um passo para promover o uso global de sua moeda, ao autorizar quatro grandes cidades do país a usar o yuan em seus negócios com o exterior, em vez do dólar. A medida foi aprovada pelo Conselho de Estado na quarta-feira, menos de um mês depois de o presidente do banco central, Zhou Xiaochuan, defender a adoção de uma nova moeda internacional em substituição à norte-americana.
De acordo com o governo chinês, a decisão tem o objetivo de reduzir o risco decorrente da flutuação cambial e estimular as exportações em meio à retração da demanda mundial. O jornal oficial “China Daily” classificou a medida como mais uma etapa na promoção do uso global do yuan.
“Este é o primeiro passo para atingir o objetivo de Pequim de transformar o yuan em uma alternativa ao dólar como a moeda que rege o comércio na Ásia”, escreveu o economista-chefe do Standard Chartered na China, Stephen Green, em análise sobre a medida.
A decisão faz parte de um esforço coordenado de Pequim de promover o uso de sua moeda fora das fronteiras do país. Desde o ano passado, as autoridades chinesas manifestam preocupação com a eventual desvalorização do dólar sobre o valor dos investimentos de seu país nos Estados Unidos. Dos US$ 2 trilhões de reservas da China, US$ 800 bilhões foram destinados à compra de títulos do Tesouro norte-americano e pelo menos mais US$ 200 bilhões estão investidos em outros papéis denominados em dólar.
A apreensão foi expressa novamente em meados de março, quando Zhou Xiaochuan propôs a adoção de nova moeda internacional em substituição ao dólar.
Nos últimos quatro meses, o banco central chinês fechou acordos de swap cambial no valor de US$ 95 bilhões com seis países, incluindo a Argentina. Os tratados não prevêem o pagamento
de negócios de importações ou exportação em yuans, mas facilitam investimentos e permitem a transferência de recursos na hipótese de problemas de liquidez de uma das partes.
Para alguns analistas, os acordos de swaps têm um forte conteúdo político e servem para a China promover sua posição como um novo ator de peso na economia global.
O yuan poderá ser usado para quitar transações realizadas por empresas de Xangai e de quatro cidades da região exportadora do Rio das Pérolas, no sul do país: Guangzhou (Cantão), Shenzhen, Dongguan e Zhuhai.
Green acredita que em um primeiro momento o yuan será utilizado nas operações com companhias de Hong Kong que realizam muitos negócios com a China continental, tanto de exportação quanto de importação.
Mas no futuro o esquema será estendido a outros países, avalia. Segundo Green, grandes empresas chinesas que possuem preços competitivos terão mais poder para impor a seus clientes no exterior o uso do yuan nas relações comerciais.

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