A paranoia de Pequim mira as bolas de pingue-pongue

Cláudia Trevisan

01 de novembro de 2012 | 14h12

A paranoia dos líderes de Pequim com a segurança durante o congresso marcado para a próxima semana atingiu patamares risíveis: os mais recentes aparatos potencialmente subversivos são bolas de pingue-pongue ou balões, que podem ser usadas por inimigos do Estado para disseminar mensagens “reacionárias”. Para evitar que isso ocorra, motoristas de táxis foram conclamados a considerar suspeitos passageiros que carreguem “qualquer tipo de bola”, segundo reprodução da orientação enviada às empresas de acordo com posts colocados no twitter.

Na eventualidade de os clientes terem outros métodos de propagação de “mensagens reacionárias”, os motoristas devem impedir que elas deixem o veículo, que deverá estar com portas trancadas e janelas fechadas. Os taxistas terão que ativar os botões de segurança que retiram dos passageiros o controle sobre esses dispositivos. Os que têm carros desprovidos de vidros elétricos devem remover as manivelas fixadas às portas.
“Fique atento a passageiros que pretendam espalhar mensagens com balões que tenham slogans ou bolas de pingue-pongue que tragam mensagens reacionárias”, diz o memorando distribuído aos taxistas, que batizou a política de “disseminação zero”.

Os motoristas também foram ordenados a checar periodicamente o interior e o exterior de seus carros para se certificar de que “violadores da lei” não tenham deixado ou afixado “mensagens reacionárias”.

A internet é outra vítima da paranoia do Partido Comunista. A censura se intensificou nos últimos dias e a velocidade de navegação se reduziu a passos de tartaruga. Sites como o gmail.com estavam inacessíveis ontem sem o uso de VPN _ou Virtual Private Network, o mecanismo que permite que os internautas escapem do bloqueio dos censores chineses. Que preguiça…

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