A praça olímpica

A praça olímpica

Cláudia Trevisan

14 de agosto de 2008 | 13h49

A praça Tiananmen, em frente à Cidade Proibida, é o local onde os chineses sem ingresso para as competições olímpicas se reúnem para celebrar o nacionalismo despertado pelos Jogos. Normalmente cheia, a praça transborda de gente desde o início da Olimpíada. No último domingo, milhares de pessoas passaram pelo local, apesar do mau tempo e dos chuviscos ocasionais. Havia vários grupos representando três gerações da mesma família, com avós, filhos e o único neto. Muitos levavam bandeiras, faixas vermelhas na cabeça e camisetas com a declaração “I Love China”. Sem bancos nem árvores, as famílias se sentavam no chão.

Muitos turistas do interior que vieram a Pequim para o período da Olimpíada fazem sua peregrinação até à praça, um dos lugares preferidos pelos chineses na capital do país. Tiananmen _ou Paz Celestial_ é a maior praça pública do mundo, com extensão de 880 metros e largura de 500 metros. Nela ocorreram alguns dos mais marcantes fatos da história da China, incluindo o protesto e posterior repressão de estudantes que pediam democracia em 1989.
O passado imperial do país é marcado pela fachada da Cidade Proibida, sede de poder nas dinastias Ming e Qing, entre 1420 e 1911. A história recente do comunismo é representada pelo mausoléu que guarda o corpo embalsamado de Mao Tsé-tung, no centro da praça, e pelo enorme retrato do líder revolucionário que pende sobre a entrada da Cidade Proibida.

Para celebrar a Olimpíada, o governo construiu dois jardins nas laterais. O do lado oeste traz uma imitação de arcos olímpicos pela metade cobertos com vegetação, pombas brancas colocadas em colunas e desenhos de flores no meio do gramado. Na outra extremidade da praça há uma reprodução do Ninho de Pássaros ao lado de uma pista ascendente na qual há bonecos estilizados praticando as diferentes modalidades dos Jogos. Ao lado, arranjos com vegetação trazem o slogan olímpico “Um mundo, um sonho”, escrito em chinês e inglês. Por fim, um mapa mundi da maneira como ele costuma ser representado aqui: a China aparece no meio, a África e a Europa à esquerda e a América, à direita.

Apesar do contato com o ocidente e do enorme número de turistas que visitam a China a cada ano, a visão de um estrangeiro ainda espanta muitos chineses, principalmente os que vêm do interior. É absolutamente comum os turistas serem abordados para tirarem foto ao lado dos chineses. Algumas mães simplesmente entregam bebês nas mãos dos estranhos e começam a fotografar, como ocorreu comigo e meus pais em uma visita ao complexo olímpico.

Aí vão as imagens do domingo na praça e do retrato com o bebê:

Criança levanta a bandeira da China no colo da mãe
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Multidão ocupa a praça Tiananmen
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Garota posa para foto em frente ao jardim construído no lado oeste da praça
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Chinês tira foto de amigo
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Jardim com imitação do Ninho de Pássaros
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O mapa mundi de Tiananmen
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Multidão em frente ao jardim olímpico
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Eu com um bebê lindo que a mãe me deu para segurar enquanto o pai batia fotos; ao meu lado, meus pais, Lia e Oswaldo. Ao fundo, o Ninho de Pássaros
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