A sala da calçada

A sala da calçada

Cláudia Trevisan

26 de abril de 2009 | 11h14

Talvez por serem 1,3 bilhão, os chineses têm uma noção de privacidade totalmente distinta do que prevalece no Ocidente e fazem em público muitas das coisas que reservamos ao interior de quatro paredes. É domingo à noite aqui e acabei de pegar um táxi depois de comer com amigos em um boteco megachinês. No meio do caminho, quando parou em um semáforo, o motorista sacou de algum lugar um barbeador elétrico e começou a se barbear, enquanto dirigia. A operação durou uns 10 minutos, durante os quais o carro continuou a andar, enquanto o chofer passava os dedos no rosto à busca de pelos remanescentes.

O boteco onde estava fica em um dos hutongs de Pequim _antigas ruelas, com séculos de história, nos quais as casas, bares e restaurantes não têm banheiro. Todos usam toaletes públicos. A região em que eu estava é freqüentada por estrangeiros e o banheiro é adaptado à noção Ocidental de privacidade, com separação dos vasos com paredes e portas. Mas outro banheiro público no mesmo bairro, a poucos metros de distância da rua principal, não é equipado com nada disso. Os vasos estão um ao lado do outro, sem nenhuma parede, por mais fina que seja. O que dirá porta.

A tênue linha entre a rua e a casa também leva vários chineses a passearem de pijama e chinelo de quarto, a cozinharem ao ar livre e a cortarem ou lavaram o cabelo na calçada. Aí vão algumas das fotos desse universo chinês:

Homem de pijama fala ao celualr em um hutong de Pequm

Carona para o amigo…

E volta para a casa

Casal passeia de pijama ao cair da tarde (a foto foi tirada em 2005, mas continua atual)

Corte de cabe ao ar livre

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