A terra do R$ 1,99

A terra do R$ 1,99

Cláudia Trevisan

22 de março de 2010 | 00h07

Não foi apenas pela mão de obra barata e o câmbio competitivo que a China ultrapassou a Alemanha neste ano e se transformou no maior exportador do mundo. Nas últimas três décadas de reforma e abertura econômica, Pequim construiu uma máquina de vender, com estradas, portos e aeroportos modernos, que ficam prontos antes mesmo de serem necessários.  Na China, não há gargalo de infraestrutura que limita o crescimento do Brasil. No começo dos anos 80, o país asiático tinha participação inferior a 1% no comércio mundial, semelhante à da brasileira na mesma época. Agora, o percentual gira em torno de 8%, enquanto nós estamos um pouco acima de 1%. Também não existe o gargalo burocrático da demora do processamento das exportações.

 Neste mês eu estive em Yiwu, cidade que é a fonte mundial de produtos de consumo baratos que alimentam mercados populares de todo o mundo, incluindo a 25 de Março em São Paulo e as lojas de R$ 1,99 espalhadas pelo Brasil. As compras acontecem em um imenso mercado com 4 milhões de metros quadrados _algo como 30 shoppings Iguatemi_, onde há 62 mil boxes de venda. Diariamente, circulam pelo local 400 mil pessoas _200 mil vendedores e 200 mil compradores.

Yiwu está a 300 quilômetros do mar, mas o governo criou em 2002 um centro logístico para facilitar as exportações, onde as mercadorias são colocadas em contêiners e carregadas em caminhões com destino aos portos de Ningbo ou Xangai. Desde o ano passado, a cidade também tem um posto de alfândega, que faz a liberação das mercadorias que serão destinadas a outros países. Em 2009, o centro logístico de Yiwu despachou 440 mil teu (unidade que equivale a um contêiner de 20 pés), segundo sua diretora Zhu Jiao Li. O volume equivale a 20% dos contêiners movimentados no porto de Santos, o maior da América Latina.

O centro logístico funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com exceção do período do Ano Novo chinês, quando fecha por uma semana. Todos os fins de tarde chegam ao local as mercadorias que foram negociadas durante o dia, que são colocadas nos contêiners e acomodadas em caminhões.

Depois da inspeção e liberação alfandegária, formam-se filas imensas de caminhões à noite, que congestionam a redondeza quando saem em direção aos portos. O mais utilizado por Yiwu é o de Ningbo, a 300 quilômetros de distância.

Se você quiser saber mais sobre Yiwu, clique

Documento

para ler reportagem publicada ontem no Estadão.

Aí vão algumas fotos do lugar:

O mercado de Yiwu é tão grande que não é possível capturá-lo em uma só foto. Esta mostra a entrada para o distrito 3 (no total, são quatro):

Entrada da fase 2 - Cláudia Trevisan/AE

Entrada da fase 2 - Cláudia Trevisan/AE

 

Esta é a entrada do distrito 4, o mais novo. Ao fundo, é possível ver os guindastes utilizados em obra para ampliação do  mercado de Yiwu.

Entrada do distrito 4 - Cláudia Trevisan/AE

Entrada do distrito 4 - Cláudia Trevisan/AE

 

Dentro  do mercado:

Compra de bijuterias - Cláudia Trevisan/AE

Compra de bijuterias - Cláudia Trevisan/AE

 

Vendedor faz demonstração de helicóptero com controle remoto - Cláudia Trevisan/AE

Vendedor faz demonstração de helicóptero com controle remoto - Cláudia Trevisan/AE

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