Ação da CIA no Paquistão mata reféns dos EUA e da Itália

Cláudia Trevisan

23 de abril de 2015 | 12h49

O presidente Barack Obama reconheceu na manhã desta quinta-feira que uma operação da CIA no Paquistão em janeiro provocou a morte de um refém americano e outro italiano que estavam em poder da Al Qaeda.

“É uma verdade cruel e amarga que na névoa da guerra em geral e na nossa luta contra terroristas em particular, erros, às vezes erros fatais, podem ocorrer”, declarou Obama na Casa Branca, ressaltando que assume “total responsabilidade” pelo episódio.

O americano Warren Weinstein estava em poder da Al Qaeda desde 2011. O italiano Giovanni Lo Porto havia sido sequestrado no ano seguinte. “Análise de todas as informações disponíveis levou a comunidade de inteligência a concluir com alto grau de confiança que a operação matou os dois reféns de maneira acidental”, disse nota da Casa Branca.

Obama determinou a desclassificação dos dados relativos à operação, que até agora era secreta. Apesar de sustentar que ela foi “legal e conduzida nos termos das práticas antiterroristas”, a Casa Branca também ordenou uma revisão independente dos fatos, com o objetivo de prevenir sua repetição no futuro.

A ação foi realizada com drones e seu alvo era uma base da Al Qaeda. Além dos reféns, os mísseis mataram um americano que integrava a liderança do grupo islâmico, Ahmed Farouq. Outra operação provocou a morte de Adam Gadahn, um americano que se converteu ao islamismo quando tinha 17 anos e se tornou um dos porta-vozes e conselheiros de comunicação da Al Qaeda.

Segundo Obama, dados de inteligência obtidos em “centenas de horas de vigilância” indicavam que o local era uma base da Al Qaeda e que não havia presença de civis. Também mostravam que “capturar os terroristas” não era possível. “O que nós não sabíamos, tragicamente, e que a Al Qaeda estava escondendo a presença de Warren e Giovanni nesse mesmo complexo”, declarou Obama na Casa Branca.

O presidente disse ter determinado a desclassificação da operação porque as famílias dos reféns “merecem saber a verdade”. “E eu tomei essa decisão porque mesmo que alguns aspectos de nossos esforços de segurança nacional tenham que permanecer secretos para serem bem sucedidos, os Estados Unidos é uma democracia comprometida com abertura em tempos bons e ruins.”