Apesar da censura, microblogs explodem na China

Cláudia Trevisan

22 de maio de 2011 | 08h44

Huang Yikai, 29, publicou 1.400 posts nos últimos cinco meses no Weibo, o serviço de microblog do portal Sina que é a mais popular versão chinesa do Twitter, com 140 milhões de usuários registrados. “Todos os dias eu estou conectado ao Renren e ao Weibo, que são parte da minha vida cotidiana”, disse Huang, que há nove anos também é usuário ativo do serviço de mensagens instantâneas QQ.

Como alguns dos jovens urbanos chineses, Huang possui ainda contas no Facebook e no Twitter, as quais acessa graças ao uso de VPN (Virtual Private Network), ferramenta que permite aos internautas burlarem a censura e abrirem sites bloqueados. Mas a maior parte de seus contatos online se dá por meio dos sites chineses, onde seus amigos estão e que “falam” o seu idioma.

Segundo Huang, a grande desvantagem dos portais locais é a censura imposta pelo governo. “Saber que todo o conteúdo que eu publico está sujeito a controles prévios me faz sentir mal”, afirma. “A única vantagem é que os sites refletem minha rede social, já que muitos de meus amigos também os utilizam.”

A censura chinesa se intensificou nos últimos dois anos, mas isso não impediu a explosão dos microblogs, que se transformaram em um amplo espaço de troca de informações, do qual não estão ausentes críticas ao governo e denúncias de abusos de poder.

A linha que não pode ser ultrapassada é a que separa a manifestação de opiniões do uso da internet como uma ferramenta de organização, à exemplo do que ocorreu com as mídias sociais nos protestos que desafiam regimes autoritários no mundo islâmico desde o início deste ano.

O governo reagiu com violência à tentativa de reprodução de manifestações semelhantes na China, convocadas por mensagens anônimas que circularam em sites bloqueados no país. Dezenas de pessoas foram presas, algumas das quais acusadas de subversão por retransmitirem a chamada para os protestos.

Mesmo dentro desses limites, há espaço para debates, potencializado pelo fato de que é possível colocar muito mais informação nos 140 “toques” do microblog em mandarim do que no alfabeto romano _cada caractere equivale a cerca de quatro a cinco letras.

“O Weibo surpreende mais pelo que é publicado do que pelo que é proibido. Há muito mais discussões e críticas do que se supõe”, ressalta Bill Bishop, editor do site Digichina.

Para quem quiser saber mais sobre o mundo da internet na China, aí vai o link para minha reportagem sobre o assunto publicada no Estado de hoje:

http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2011/05/22/B15.pdf

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