Assassino da Flórida queria ser ‘atirador profissional de escolas’

Cláudia Trevisan

16 Fevereiro 2018 | 00h55

Cinco meses antes de abrir fogo de maneira indiscriminada contra seus ex-colegas, Nikolas Cruz disse nas redes sociais que pretendia se tornar um “atirador professional de escolas”, como se disparar um fuzil de assalto contra estudantes fosse uma carreira a ser construída. Mas a frequência cada vez maior com que atos do tipo se repetem nos EUA colocam Cruz em uma longa lista de homens jovens que decidem tirar vidas inocentes de forma gratuita.

O fácil acesso a armas transformaram os disparos em massa em um instrumento de expressão de frustrações, fúria, recalques, vingança ou tédio. O atirador de Parkland, na Flórida, comprou de maneira legal o fuzil AR-15 que usou para matar 17 alunos da escola secundária da qual foi expulso no ano passado.

A transação ocorreu no início de 2017, quando Cruz tinha 18 anos. Com essa idade, ele não poderia comprar um revólver –e nem uma cerveja. Mas a legislação da Flórida diz que é perfeitamente legal um menor de 21 anos adquirir um fuzil de estilo militar muito mais potente.

A linhagem de “atirador professional de escolas” ganhou celebridade em 1999 com o ataque em Columbine, retratado no documentário de mesmo nome de Michael Moore. Dois alunos, de 17 e 18 anos, mataram a tiros 12 de seus colegas de classe e um professor, antes de se suicidaram.

O episódio mais chocante do gênero ocorreu em 2012, quando um homem de 20 anos atacou uma escola primária e assassinou 20 crianças de 6 e 7 anos de idade, além de seis adultos. Antes de ir à escola Sandy Hook, em Newton, ele havia matado sua mãe. Depois do massacre de crianças, ele se suicidou. A arma usada no ataque foi um fuzil de estilo militar semelhante ao AR-15.

O ataque não foi suficiente para levar o Congresso dos EUA a aprovar medidas mínimas de controle sobre a venda de armas, entre as quais checagens mais rigorosas de antecedentes.

Desde Sandy Hook, houve pelo menos 239 ataques a tiros em escolas ao redor dos Estados Unidos, segundo levantamento do New York Times. No total, 438 foram pessoas foram atingidas, das quais 138 morreram.