Censura chinesa adota sistema de pontos

Cláudia Trevisan

29 Maio 2012 | 07h38

Os censores chineses criaram um novo mecanismo para desestimular críticas ao governo na internet: um sistema de pontuação no mais popular microblog do país vai premiar ou punir os usuários, que poderão ter suas contas canceladas caso fiquem sem nenhum ponto, algo semelhante ao que ocorre no Brasil com as carteiras de motorista.

Os cerca de 300 milhões de usuários do Sina Weibo, a mais popular versão local do Twitter, receberam na segunda-feira 80 pontos cada um. A cifra poderá ser reduzida se o blogueiro cometer uma série de ofensas, que incluem descrições vagas o bastante para contemplar qualquer ação que as autoridades não vejam com bons olhos, como “ofender a honra da China”.

Convocar protestos ou disseminar informações sobre manifestações e reuniões ilegais também levarão à perda de pontos. Qualquer encontro que não tenha autorização oficial pode ser considerado “ilegal”, o que potencialmente restringe a veiculação de informação sobre os milhares de protestos que ocorrem em toda a China a cada ano. Também será punida a divulgação de “segredos de Estado”, conceito que pode incluir até diretrizes que os censores enviam diariamente aos editores de jornal sobre o que deve e não pode ser publicado. Outros alvos dos censores são a disseminação de rumores que ameacem a estabilidade social e a promoção de cultos e superstições.

A censura na China é “terceirizada” para as empresas de internet, que têm a responsabilidade de monitorar o que é veiculado online. Todas têm um grupo de sensores que deletam posts e comentários considerados politicamente “sensíveis”. Além disso, sites como Twitter, Facebook e Youtube são bloqueados na China e milhares de outras páginas são inacessíveis, entre as quais a do dalai lama, considerado um separatista pelo governo de Pequim.

Antes do sistema de pontos, os microblogs chineses já haviam instituído um sistema de registro com identidade verdadeira, para acabar com o anonimato que protege muitos dos críticos do governo.

Até ontem, havia quase 2.000 comentários no Sina Weibo sobre as novas regras, a maioria dos quais críticos. “Se as autoridades não podem tolerar opiniões diferentes, a liberdade vai sofrer. As autoridades deveriam dar espaço para o pensamento e a livre expressão”, escreveu o internauta @shuzhongsheng.

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