China é uma Argentina maior que o Japão

Cláudia Trevisan

15 de fevereiro de 2011 | 10h19

Apesar de ter crescido robustos 3,9% no ano passado, o Japão perdeu oficialmente para a China o posto de segunda maior economia do mundo que ocupou durante quatro décadas. Autoridades de Tóquio informaram ontem que o PIB de 2010 ficou em US$ 5,47 trilhões, abaixo dos US$ 5,88 trilhões do vizinho emergente.

A diferença de US$ 410 bilhões entre os dois países supera o tamanho da economia da Argentina, que atingiu US$ 351 bilhões em 2010, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional.

O resultado era impensável há uma década, quando o PIB chinês representava um terço do japonês, e reflete tanto o dinamismo da China quanto a estagnação em que o Japão mergulhou a partir dos anos 90.

Mas o 1,3 bilhão de habitantes da que agora é a segunda maior economia do mundo continua a ser bem mais pobre que os 128 milhões que passaram para a terceira posição _o PIB per capita chinês equivale a cerca de um décimo dos US$ 43 mil dos japoneses.

No ritmo atual, a China deverá superar os Estados Unidos e se tornar a maior economia do mundo até 2030. A ultrapassagem ocorrerá cerca de 15 anos antes se for considerado o valor do PIB pela Paridade de Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), cuja equação contempla o impacto dos preços relativos na economia de cada país. 

A espetacular história da expansão chinesa começou a ser escrita em 1978, quando Deng Xiaoping (1904-1997) obteve apoio dentro do Partido Comunista para implantar sua política de abertura e integração gradual do país à economia mundial.

Naquela época, a China estava isolada e destroçada pela trágica experiência da Revolução Cultural (1966-1976). O PIB per capita não chegava a US$ 300 ao ano, comparados com quase US$ 9.000 dos japoneses.

As reformas iniciadas por Deng levaram a China a um crescimento médio de quase 10% ao ano nas últimas três décadas, algo inédito na história recente da humanidade. Os principais motores dessa expansão foram os investimentos e as exportações. O grande desafio dos dirigentes de Pequim agora é mudar o padrão de crescimento e aumentar o peso do consumo doméstico no PIB.

Se conseguir essa transição, a China aumentará sua relevância como uma das principais turbinas da expansão mundial. O país é o principal destino das exportações do Japão e sua demanda foi um dos fatores que levaram aos 3,9% de crescimento em 2010.

Apesar do resultado positivo, a economia japonesa encolheu 0,3% no quarto trimestre _ou 1,1% anualizados. A contração decorreu principalmente da queda no consumo interno provocada pelo fim de subsídios adotados depois da crise financeira global. Ainda assim, a contração foi menor que a média de -0,5% esperada por analistas.

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