Com atentados, estrangeiros se refugiam atrás de muralhas em Cabul

Cláudia Trevisan

18 de setembro de 2014 | 11h48

O ataque suicida que deixou três soldados mortos terça-feira no centro de Cabul foi mais uma lembrança de como a capital afegã se tornou insegura para estrangeiros –e não apenas os que usam uniformes militares. Desde o início deste ano, uma série de atentados em lugares antes considerados seguros empurrou a comunidade internacional para trás das muralhas que protegem hotéis, casas e restaurantes, quase sempre guardadas por homens armados.

Alguns milhares de estrangeiros civis vivem em Cabul, trabalhando em ONGs, consultorias, embaixadas, empresas ou como correspondentes internacionais. Até o início do ano, a maioria frequentava restaurantes e festas semanais que tinham álcool e se estendiam pela madrugada.

Tudo mudou em janeiro, quando um atentado do Taliban contra um restaurante libanês frequentado por ocidentais matou 21 pessoas, entre as quais o representante do Fundo Monetário Internacional no Afeganistão, Wabel Abdallah.
Três meses depois, militantes do grupo conseguiram entrar com revólveres escondidas nos sapatos no hotel Serena, um bunker com quatro camadas de proteção e seguranças armados.

Nove pessoas que jantavam no restaurante morreram, entre as quais quatro estrangeiros. Funcionário da agência de notícias France Presse, o jornalista afegão Sardar Ahamad foi morto junto com sua mulher e duas filhas.

Os atentados mudaram os hábitos dos estrangeiros, que reduziram as incursões a restaurantes em Cabul e passaram a se reunir nas casas de amigos. Na quinta-feira, fui jantar em um restaurante francês da capital afegã, chamado Le Jardin. O lugar fica no fim de uma rua sem asfalto e não tem nenhum identificação. A fachada é um enorme portão de ferro, à frente do qual estavam três homens armados com fuzis. Depois do portão, tive que passar por mais três portas de ferro, com minúsculas janelas pelas quais um par de olhos aparecia para checar minha aparência antes de permitir minha entrada. Na última delas, tive que passar por um detector de metais e abrir minha bolsa para uma revista.

Fora da capital, os casos de violência contra estrangeiros também aumentaram. Em abril, uma fotógrafa alemã foi morta e uma jornalista canadense ficou ferida em um ataque a tiros na província de Khost, no leste do país. Ambas cobriam as eleições presidenciais e estavam no banco de trás de um carro quando foram atingidas por um policial que caminhou até o local e gritou “Allahu akbar” (Deus é grande) antes de abrir fogo.

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