Com síndrome rara, goleiro da seleção dos EUA é novo herói americano

Cláudia Trevisan

03 de julho de 2014 | 12h17

Os Estados Unidos estão fora da Copa do Mundo, mas a sensação no país é de vitória, apesar da eliminação por 2 a 1 no jogo com a Bélgica. A seleção americana foi além do que seus próprios integrantes esperavam e deixou Gana e Portugal para trás na primeira fase. Na terça-feira, conseguiram empurrar os belgas para a prorrogação e saíram do campo com um placar decente e um novo herói nacional: o goleiro Tim Howard, que defendeu 16 chutes em um único jogo, um recorde que não era registrado desde 1966.

Histórias de superação pessoal não são raras no esporte, mas Howard tem uma condição que torna sua trajetória ainda mais surpreendente. Quando criança ele recebeu o diagnóstico de síndrome de Tourette, que faz seu portador ter movimentos involuntários (tiques) e, em alguns casos, soltar expressões verbais sem controle.

Howard abraçou sua condição e fala abertamente sobre ela, na tentativa de desmistificá-la “São tiques definitivamente involuntários”, disse em entrevista ao Yahoo Sports. “Alguns deles são piscar, limpar a garganta, tensionar músculos em diferentes partes do corpo. Infelizmente, ela é desconstruída e apresentada de uma maneira cômica, particularmente em Hollywood, filmes e coisas do gênero.”

Quando foi contratado para jogar no Manchester United, em 2003 anos, Howard foi alvo dos implacáveis tabloides britânicos, que ridicularizaram sua condição e o classificaram de “deficiente” e “goleiro xingador”. Dizer palavrões involuntariamente pode ser uma das características da síndrome, mas Howard diz não ter esse sintoma.

“Essas manchetes foram escritas por pessoas que não têm ideia do que é a síndrome de Tourette. Elas não sabem que não sou deficiente nem xingo. Mas pessoas não educadas têm o hábito de fazer afirmações sem fundamento. Eu tenho que me acostumar a isso”, declarou no ano passado em entrevista à alemã Spiegel Online.

Howard disse que o nervosismo intensifica os seus tiques, mas que de alguma maneira ele consegue se controlar quando a bola se aproxima de seu gol. “Nesses momento eu estou totalmente lá. É estranho. Assim que as coisas ficam sérias na frente do gol, eu não tenho nenhuma agitação; meus músculos me obedecem”, afirmou na mesma entrevista. Howard respondeu que não tinha ideia de como consegue se controlar. “Nem mesmo os médicos podem me explicar. Provavelmente é porque naquele momento minha concentração no jogo é maior que a síndrome de Tourette.”

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