Crise aérea? Que crise?

Crise aérea? Que crise?

Cláudia Trevisan

01 de maio de 2008 | 10h04

Para quem viveu as agruras da crise aérea brasileira, desembarcar no novo terminal internacional de Pequim provoca a desconfortável sensação de inferioridade diante do progresso alheio. No caso, o desconforto é agravado pelo fato de o aeroporto estar em um país em desenvolvimento que possui uma renda per capita menor que a brasileira. Maior aeroporto do mundo em extensão, com uma distância de três quilômetros de um extremo a outro e área de 1 milhão de metros quadrados, o novo terminal foi construído em apenas quatro anos e será ligado ao centro da cidade por uma linha de trem . Como todas as grandes obras concebidas em razão dos Jogos Olímpicos de agosto, ele sugere a imagem que a China quer ver refletida no espelho do mundo: a de um país moderno, tecnologicamente avançado e globalizado.

Projetado pelo arquiteto inglês Norman Foster, o aeroporto custou US$ 2,8 bilhões, o maior investimento entre as “obras olímpicas”. Só o sistema de entrega de bagagens consumiu US$ 250 milhões. Desenvolvido pela alemã Siemens, ele está entre os mais rápidos do mundo e traz a promessa de colocar as malas à disposição dos passageiros em no máximo 20 minutos depois do pouso. O terminal é dividido em três edifícios, conectados por trens. Os das extremidades são idênticos e têm a forma de um “Y” estilizado. Os passageiros desembarcam em um deles e pegam o trem para o outro, onde se concentra o embarque e a entrega de bagagens. O prédio do meio, que ainda não está em operação, será destinado a vôos domésticos.

Com o novo terminal, a capacidade do aeroporto de Pequim sobe de 35 milhões para 60 milhões de passageiros ao ano, quatro vezes mais que o movimento anual do aeroporto de Congonhas antes da crise aérea.
Apesar de sua grandiosidade, a obra está longe de ser um fato isolado no espetacular desenvolvimento do setor aéreo chinês. Antes mesmo da sua inauguração, o governo já havia decidido construir um novo aeroporto na cidade, com base na projeção de que o tráfego aéreo no país crescerá em média 14% ao ano até 2010.

Há duas décadas, viajar de avião era algo absolutamente distante do cotidiano dos chineses e o país tinha apenas uma empresa aérea. No ano passado, o volume de passageiros domésticos chegou a 185 milhões. Para evitar um caos semelhante ao brasileiro, o governo chinês planeja construir 45 novos aeroportos até 2010 e mais 52 na década seguinte. A previsão é que o total chegue a 244 em 2020. Isso significa que 82% do 1,3 bilhão de chineses viverá no máximo a 100 quilômetros de distância de um aeroporto.

A seguir, algumas fotos do portão de entrada da Olimpíada.

Entrada do novo terminal de Pequim
Entrada do aeroporto

Desembarque internacional
Desembarque internacional

Interior do “Y” destinado ao embarque e entrega de bagagem
Área de embarque do terminal

Esteira que leva à saída do terminal
Esteira que leva à saída do terminal

Área de check-in
Área de check-in

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