Crise política cancela encontro entre CEOs do Brasil e dos EUA

Cláudia Trevisan

29 de março de 2016 | 12h36

A crise política brasileira levou ao cancelamento da reunião do Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos, que ocorreria nesta semana em Washington. A instituição reúne 22 comandantes de grandes empresas e representantes dos governos de ambos os lados e é um dos mais importante mecanismo de cooperação bilateral nas áreas econômica e comercial.

A iniciativa de suspender o encontro partiu do lado brasileiro e foi comunicada aos americanos no dia 16 de março, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi nomeado para a chefia da Casa Civil –o ocupante do cargo é responsável pela articulação oficial do fórum do lado brasileiro. Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, os empresários disseram aos americanos que precisavam de tempo para se ajustar à troca de comando na Casa Civil.

Com a indefinição sobre o futuro de Lula no governo e o nome do titular da Casa Civil, a situação ficou ainda mais complicada. Ainda que não houvesse mudanças, o setor privado avaliava que não havia “clima” para a realização do encontro, que ocorreria em paralelo a reuniões que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Amando Monteiro, terá a partir de amanhã em Washington. Monteiro coordena o fórum pelo governo brasileiro junto com o chefe da Casa Civil.

Do lado americano, os representantes oficiais são a secretária de Comércio, Penny Pritzker, com quem Monteiro se encontrará na quinta-feira, e a responsável por relações econômicas internacionais da Casa Branca, Caroline Atkinson.

O Fórum de CEOs foi criado em 2007 por iniciativa do então presidente Lula e seu colega americano, George W. Bush. A decisão foi tomada em encontro que ambos tiveram em Camp David, a casa de campo dos presidentes dos EUA. A missão da instituição é apresentar sugestões aos governos de ambos os países que reforcem a cooperação bilateral econômica e comercial.

A última reunião do grupo ocorreu em Brasília, no ano passado, depois de o governo Dilma Rousseff determinar uma mudança na composição dos representantes do setor privado brasileiro em razão da Operação Lava Jato. Três empreiteiras investigadas por suspeita de corrupção foram retiradas do fórum: Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

Apesar de ser uma empresa estatal, a Petrobras foi incluída entre as 12 empresas nacionais do grupo, o que provocou desconforto do lado americano, já que a companhia está no centro do escândalo da Lava Jato. Os EUA participam da instituição com CEOs de dez empresas, que têm mandato de três anos –não há limite de tempo para os representantes brasileiros.

A delegação do setor privado do lado do Brasil é presidida por Josué Gomes, da Coteminas. As demais empresas são JBS, Bradesco, Embraer, Cutrale, Gerdau, Ambev, Eurofarma, DASA, Kroton Educacional e Stefanini. O lado americano é comandado por Eduardo Leite, do escritório de advocacia Baker & McKenzie e inclui representantes das seguintes companhias: General Motors, Praxair, Harris Corporation, Citigroup, AES Corporation, OSI Systems, Merck, Rockwell Automation e International Paper.

 

 

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