Cuba não é versão caribenha da Coreia do Norte

Cuba não é versão caribenha da Coreia do Norte

Cláudia Trevisan

21 de agosto de 2015 | 00h28

blogcuba

É fácil ter a impressão de que Cuba está congelada no tempo diante dos milhares de carros americanos dos anos 50 que circulam pelas ruas de Havana e da decrepitude de grande parte do centro antigo da capital. Mas aos poucos a modernidade começa a entrar pelas frestas do sistema de partido único que impera no país. As reformas iniciadas por Raúl Castro no fim da década passada ampliaram, ainda que de maneira tímida, os limites de ação dos indivíduos e acabaram com algumas das odiosas restrições impostas aos cubanos –como a necessidade de autorização do governo para viajar ao exterior e ter um celular ou a proibição de entrar em hotéis onde se hospedavam estrangeiros.

A possibilidade de conectar-se à internet dentro de casa continua a ser um privilégio de poucos e a repressão aos dissidentes se mantém firme e forte. Mas Cuba não é uma versão caribenha da Coreia do Norte, onde impera a homogeneidade. A sociedade é diversa, com opiniões, estilos e atitudes distintos. Irreverentes e com um bom humor surpreendente diante da adversidade, os cubanos se queixam abertamente das agruras do quotidiano –o salário irrisório, o preço elevado dos bens de consumo e as distorções que fazem com que um médico ou um engenheiro ganhem menos do que um taxista que trabalhe com o turismo.

Muitos consideram exasperante a lentidão na implementação das reformas e esperam que elas ganhem impulso em consequência do restabelecimento de relações diplomáticas com os Estados Unidos. O limite da crítica é a tentativa de criação de uma oposição organizada ao Partido Comunista, algo não tolerado pelos comandantes da ilha.

Tatuagens, homens com brincos e penteados elaborados não são raridade nas ruas de Havana. O acesso à internet ainda é difícil e caro, apesar de o preço ter caído à metade no mês passado, para cerca de US$ 2 a hora. Cubanos levam seus celulares, tablets e laptops para locais com wi-fi e se instalam nas calçadas, concentrados em seus aparelhos para aproveitar ao máximo o tempo em que estão conectados.

É impossível prever o que acontecerá quando o acesso à internet for ampliado, mas os que surfam na rede hoje têm acesso a Facebook, Twitter e Youtube, bloqueados na China. A censura cubana atinge pornografia e os sites ligados aos dissidentes, como o 14ymedio da blogueira Yoani Sanchéz.

 

Misto de táxi e ônibus,

Misto de táxi e ônibus, “lotação” cobra US$ 0,40 por pessoa

Centro velho de Havana

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Um dos micro negócios privados de Cuba

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Jovens cubanos acessam a internet na calçada de um dos hoteis de Havana

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Vitrine de loja em um dos shoppings de propriedade do Estado

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