Dá para crescer 8%?

Cláudia Trevisan

06 de março de 2009 | 04h43

O relatório apresentado ao Congresso Nacional do Povo quinta-feira pelo poderoso ministério responsável pelo planejamento na China foi mais cauteloso que o primeiro-ministro Wen Jiabao ao avaliar a capacidade do país de alcançar a meta de 8% de expansão da economia neste ano.

“Considerando a desaceleração da economia mundial, o complexo e volátil ambiente externo e o aumento considerável dos problemas domésticos, esta não é uma meta baixa e exige o apoio de fortes políticas macroeconômicas e trabalho prático e efetivo”, diz o documento de 38 páginas da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (CNRD) sobre desenvolvimento econômico e social em 2009 entregue aos quase 3.000 representantes reunidos ontem no Grande Palácio do Povo.

A sessão do Congresso Nacional do Povo termina no dia 13 de março, quando Wen Jiabao dará uma entrevista coletiva, a única de cada ano.

Os problemas domésticos não são poucos e alguns, como o excesso de capacidade produtiva, foram evidenciados pela desaceleração da economia mundial. Entre os desafios que ainda estão diante do governo de Pequim, a CNRD listou os seguintes: baixa capacidade de inovação tecnológica, estrutura industrial inadequada, desequilíbrio entre demanda doméstica e externa, o pesado impacto do crescimento sobre os recursos naturais e o meio ambiente, a desproporção entre investimento e consumo e os desequilíbrios entre os desenvolvimentos econômico e social, entre áreas urbanas e rurais e entre diferentes regiões do país.

O documento destaca que o efeito da crise sobre o emprego é devastador e reconhece que os esforços do governo para aumentar a eficiência energética e reduzir a poluição encontrarão mais resistência em um cenário de baixo crescimento.

“Pelo fato de as empresas enfrentarem mais dificuldades e algumas não estarem operando em plena capacidade, elas investem menos em aperfeiçoamento tecnológico e redução da poluição, o que leva a uma queda na eficiência energética e operação ineficaz de seus equipamentos de controle da poluição”, observa o texto.

Mas a CNRD sustenta que o governo chinês pode transformar o desafio atual em oportunidade e realizar os ajustes necessários na estrutura produtiva e na economia do país. Entre os objetivos para 2009 está a consolidação de setores extremamente fragmentados, como o siderúrgico e o automobilístico, que passarão por um processo de fusão de empresas.

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