Dilma e Biden se reunirão no Brasil durante a Copa

Cláudia Trevisan

07 Maio 2014 | 19h33

A presidente Dilma Rousseff se reunirá com o vice-presidente americano Joe Biden quando ele for ao Brasil para assistir a um jogo da seleção dos EUA na Copa do Mundo. O encontro é o mais importante desde que a relação bilateral foi abalada pela revelação de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) no ano passado e indica a redução do mal-estar entre os governos dos dois países.

O escândalo levou Dilma a cancelar a visita de Estado que faria a Washington em outubro, o que esfriou os contatos entre a cúpula das administrações de ambos os países. Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, o encontro no Brasil foi proposto pelo próprio Biden durante a posse da presidente do Chile, Michelle Bachelet, no dia 11 de março, quando o americano dividiu a mesa com a presidente brasileira no banquete oficial. “Dilma, você não me ama mais?”, disse Biden na ocasião, de acordo com a mesma fonte. A presidente riu, mas não deu uma resposta sobre a reunião, que só foi confirmada nos últimos dias.

O encontro é um sinal de que o relacionamento bilateral começa a melhorar, apesar de ainda estar em um momento delicado, disse nesta quarta-feira a subsecretária de Estado americana para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson. “Obviamente estamos em um período difícil na relação bilateral e isso não é segredo para ninguém”, declarou durante a Conferência sobre as Américas, realizada no Departamento de Estado.

Na opinião de Jacobson, o ritmo dos contatos de alto nível entre os governos deve se acelerar a partir de agora, ainda que seja esperada uma pausa durante o período eleitoral. Ela observou que haverá uma série de eventos nos próximos 18 meses, entre os quais diálogos bilaterais em diferentes áreas e o fórum de CEOs, que deve ser realizado em 2015.
Jacobson ressaltou que os problemas entre os governos não afetaram as trocas entre cidadãos de ambos os países, manifestadas em áreas como turismo, esportes e cultura. “É importante reconhecer que muitas coisas continuam a acontecer no relacionamento, todos os dias e semanas, mesmo quando as manchetes dizem que a relação entre os Estados Unidos e o Brasil está congelada”, ressaltou.

A crescente demanda de vistos por brasileiros que viajam aos EUA levou o governo de Washington a anunciar a abertura de mais dois consulados no país, em Porto Alegre e Belo Horizonte. “Há só dois países no mundo onde estamos abrindo novos consulados, que são China e Brasil”, disse.

O relacionamento bilateral sofreu um baque no ano passado com a revelação de que a NSA espionou comunicações da presidente brasileira, da Petrobras e de cidadãos do país. Além de cancelar a visita a Washington, Dilma propôs na Organização das Nações Unidas (ONU) um novo modelo de governança global da internet para coibir abusos como os praticados pela NSA.

Em janeiro, o governo americano anunciou uma revisão na atuação de seus serviços de espionagem, na tentativa de aplacar a reação de seus aliados. Os resultados desse processo foram apresentados ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, no dia 30 de janeiro, mas até agora o Brasil não se manifestou oficialmente sobre o assunto.