Dilma e o segredo de Portugal

Cláudia Trevisan

29 de janeiro de 2014 | 16h42

Ao tentar justificar sua parada em Lisboa com o argumento de que pagou a conta de um dos mais caros restaurante da cidade com o seu dinheiro, a presidente Dilma Rousseff ignora o maior escândalo de sua escala na capital portuguesa: o de que a dirigente máxima do país acredita não ter necessidade de dar satisfação à opinião pública e à imprensa sobre o que faz.

A informação de que a presidente e sua comitiva passaram o fim de semana de 25/26 de janeiro em Lisboa só foi divulgada 24 horas depois de sua chegada à cidade e quando o grupo já havia decolado com destino a Cuba. Ainda assim, a parada em Portugal só veio à tona depois de o Estado revelar a informação, no sábado. Até então, a previsão era a de que a presidente faria escala nos Estados Unidos a caminho de Cuba.

Dilma pode ter pago a conta do restaurante Eleven com seu dinheiro, mas foram os contribuintes que bancaram os 45 quartos dos hotéis Ritz e Tivoli usados por ela e sua comitiva no fim de semana lisboeta. No primeiro, onde a presidente ficou, a diária de um quarto comum para o próximo sábado está em US$ 460 _o preço de uma suíte é de US$ 957. O Tivoli é mais modesto e cobra US$ 165.

A presidente já deu inúmeras mostras de que se sente desconfortável com o escrutínio da imprensa sobre suas viagens internacionais e os gastos que elas envolvem. Mas ela goste ou não, um dos papeis da imprensa em uma democracia é a fiscalização do poder público. Ao sonegar a agenda da presidente à imprensa -e à população- o governo impede que essa atribuição seja desenvolvida de maneira eficaz, com prejuízo para todo o país.

Tudo o que sabemos sobre:

Dilma RousseffElevenLisboaRitzTivoli

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.