Dilma fará visita oficial ‘vitaminada’ aos EUA

Cláudia Trevisan

09 de junho de 2015 | 10h54

A passagem da presidente Dilma Rousseff por Washington no fim deste mês não terá a pompa e circunstância de uma visita de Estado, mas será marcada por gestos diplomáticos que estiveram ausentes na ida anterior da brasileira à capital dos EUA, em 2012. O presidente Barack Obama a convidou para ficar na Blair House, a casa de hóspedes oficial, e a receberá em jantar na Casa Branca no dia 29.

O jantar será para um pequeno grupo, de cerca de 20 pessoas, o que permitirá uma maior interação entre os dois líderes. No dia seguinte, Dilma e Obama estarão novamente juntos, para uma reunião de trabalho na Casa Branca. Em sua visita anterior, a presidente teve apenas um encontro com Obama e não foi convidada para se hospedar na Blair House, deferência que havia sido estendida a seus antecessores Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

A três semanas da visita, assessores dos dois lados tentam fechar uma agenda que simbolize a superação da crise gerada pela atuação da agência de espionagem americana (NSA). A revelação de que suas comunicações haviam sido monitoradas pelos EUA levou Dilma a cancelar a vista de Estado que faria a Washington em outubro de 2013.

A Casa Branca deseja que os dois presidentes façam pelo menos um grande anúncio que esteja alinhado com o legado que Obama pretende deixar ao fim de seu mandado, em 2017. Para os americanos, a área mais promissora é o combate à mudança climática, que já produziu um acordo com a China para redução de emissões e com a Índia para a cooperação no desenvolvimento de fontes de energia não-poluentes.

A intenção é realizar um anúncio que mostre o compromisso do Brasil e dos EUA nessa área e dê impulso às negociações da conferência sobre o clima da Organização das Nações Unidas (ONU) marcada para dezembro em Paris.

Outra prioridade dos americanos é a ratificação, no Congresso brasileiro, de dois acordos da área de defesa fechados pelos dois países em 2010, durante o mandato de Lula. O texto de um deles, o Acordo de Cooperação em Defesa, só foi enviado pelo governo Dilma ao Legislativo há dois meses –cinco anos depois de sua assinatura.

O outro tratado, conhecido pela sigla GSOMIA, regula a proteção de informações militares sigilosas, abrindo caminho para cooperação mais estreita entre os dois países nessa área. Com o atraso no envio ao Congresso, os dois lados tiveram que reescrever o texto, para adaptá-lo à Lei de Acesso à Informação, sancionada em novembro de 2011.

O governo Dilma pretende enviar a nova versão do GSOMIA ao Congresso antes da visita e espera que o Acordo de Cooperação em Defesa esteja aprovado ou com a tramitação avançada no momento em que Dilma se reunir com Obama.

Do lado brasileiro, a expectativa é que haja acordos nas áreas de inovação, educação profissionalizante e facilitação do comércio. A presidente também usará a visita para se reunir com grandes investidores, dentro do esforço de resgatar a credibilidade do país. O encontro deverá ocorrer na manhã do dia 29 em Nova York.

Em Washington, Dilma também será recebida no dia 30 em um almoço oferecido pelo vice-presidente Joe Biden, seu principal interlocutor no governo americano. A recepção para 200 convidados será realizada no Departamento de Estado.