Dinheiro pirata

Cláudia Trevisan

24 de janeiro de 2011 | 08h37

Ontem eu vivi um desses momentos chineses memoráveis: recebi notas falsas de um caixa eletrônico!!! A pirataria é generalizada por aqui e cópias quase perfeitas das notas de 100 yuans são muito mais comuns do que eu esperava. Mas jamais imaginei que elas pudessem ser distribuídas pelos próprios bancos, por meio dos caixas eletrônicos que operam.

Logo depois do saque, peguei um táxi e tive uma discussão com o motorista que recusou uma das notas. Achei que ele estava paranóico. Só me dei conta de que ele tinha razão quando pedi comida em um restaurante italiano perto de casa, paguei a conta e recebi uma ligação do gerente, dizendo que a nota era falsa e perguntando se eu poderia trocar por outra. Respondi sim.

Sei que o episódio é uma exceção. Já usei inúmeros caixas eletrônicos na China e nunca tive problemas. Mas é um sintoma de uma disfunção da qual muitos chineses reclamam e que gera uma insegurança em relação aos produtos e serviços que os consumidores e cidadãos recebem.

Disfunção que permitiu a venda de leite em pó falso ou contaminado que provocou a morte de crianças ou que deu margem à construção de escolas de má qualidade que ruíram no terremoto que abalou a província de Sichuan em 2008. Receber notas falsas de um caixa eletrônico não é nada perto disso…

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