EUA e Cuba estão próximos de anunciar abertura de embaixadas

Cláudia Trevisan

19 de maio de 2015 | 17h17

Estados Unidos e Cuba estão prestes a remover os principais obstáculos para o restabelecimento de relações diplomáticas e poderão anunciar em breve a abertura de suas embaixadas recíprocas. O governo de Havana conseguiu um banco disposto a trabalhar com sua representação em Washington e, no dia 29, acaba o prazo no qual o Congresso americano pode se opor à exclusão da ilha da lista de países que patrocinam o terrorismo.

Essas duas medidas são apresentadas pelo governo de Raúl Castro como pré-condições para a conclusão das negociações diplomáticas. Na quinta-feira, os dois lados voltam a se reunir em Washington para a que pode ser a última rodada de conversas antes do anúncio de abertura de embaixadas. Se chegarem a um acordo final, EUA e Cuba colocarão fim a mais de cinco décadas de rompimento das relações bilaterais, eliminando o último vestígio da Guerra Fria no continente.

Apesar de as principais exigências de Cuba estarem prestes a serem atendidas, os dois lados ainda mantêm divergências sobre o grau de liberdade que os diplomatas americanos terão na ilha. Mas uma alta autoridade da gestão Barack Obama disse estar confiante de que as diferenças serão resolvidas no encontro de quinta-feira.

Em Havana, o subdiretor para Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores, Gustavo Machín, disse que a retomada dos serviços bancários e a retirada de Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo criam um “contexto bilateral e regional apropriado” para o avanço na instalação de embaixadas.

Caso os dois países cheguem a um acordo sobre o funcionamento de suas representações diplomáticas, Obama notificará o Congresso sobre a mudança no status da presença dos EUA na ilha. O país possui hoje uma Seção de Interesses, que funciona no âmbito da Embaixada da Suíça. A comunicação deve ser feita com pelo menos 15 dias de antecedência da alteração e os parlamentares não têm poder de se opor à medida. “Nós estamos mais perto do que no passado” da abertura de embaixadas, disse a autoridade americana.

O restabelecimento dos laços diplomáticos não coloca fim ao embargo econômico dos EUA à ilha, que depende de aprovação do Congresso. Mas é o primeiro passo para a normalização do relacionamento bilateral, que ocorrerá ao longo de anos e envolverá discussão de temas espinhosos, como o pedido de indenização dos americanos pela expropriação de empresas e propriedades depois da Revolução de 1959. “Relações totalmente normais não incluem um embargo econômico. Isso é parte do processo de normalização de longo prazo”, afirmou a autoridade americana, lembrando que Obama já pediu ao Congresso que levante o embargo.

No encontro de quinta-feira, Cuba pretende discutir a questão do financiamento dos EUA a programas de formação de jornalistas independentes em Havana, que considera uma interferência indevida em assuntos internos da ilha. A fonte do governo Obama disse que os EUA têm projetos semelhantes em vários países e indicou não haver disposição de abandoná-lo em Cuba.

 

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