EUA têm a saúde mais cara e menos eficiente entre países ricos

Cláudia Trevisan

16 de outubro de 2014 | 10h22

Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e são líderes incontestáveis na pesquisa de ponta de uma série de doenças. Mas seu sistema de saúde apresenta deficiências que refletem a natureza fragmentada de sua organização e o peso do setor privado sobre o público em sua operação. Enquanto o país digeria a informação de que uma segunda enfermeira havia sido contaminada com o vírus do ebola ao cuidar de um paciente no Hospital Presbiteriano de Dallas, ficava evidente a ausência de uma coordenação em âmbito nacional para conter o vírus que já matou 4.500 pessoas na África Ocidental.

Em um espaço de quatro dias, os americanos foram informados que duas enfermeiras contraíram o vírus durante o tratamento de Thomas
Duncan, o liberiano que chegou aos Estados Unidos no dia 20 e procurou o serviço de emergência do Hospital Presbiteriano no dia 25. A instituição afirma que as profissionais de saúde usavam equipamentos de proteção quando trataram de Duncan, mas entidade que representa enfermeiros americanos sustenta que não havia roupas apropriadas à disposição das funcionárias nas primeiras interações com o paciente.

Além disso, a família do liberiano afirma que ele não recebeu tratamento adequado por não possuir seguro médico, condição que atinge um em cada seis americanos. Duncan foi dispensado pelo atendimento de emergência depois de sua primeira visita ao hospital, no dia 25. O liberiano só foi internado três dias mais tarde, quando seu estado havia se deteriorado de maneira considerável. Há pouco mais de uma semana, ele morreu em razão de falência múltipla de órgãos.

O sistema de saúde dos Estados Unidos é o mais caro do mundo, mas fica em último lugar em termos de resultados em ranking de 11 países industrializados elaborado pelo Commonwealth Fund, entidade com sede em Nova York que defende melhorias no setor.

De acordo com estudo divulgado em junho, os EUA registraram gasto médio per capita com saúde de US$ 8.508 em 2013, mais que o dobro dos US$ 3.405 registrados pela Inglaterra, que ficou em primeiro lugar na classificação. “Apesar de os EUA gastarem mais em saúde do que qualquer outro país e possuírem a maior proporção de especialistas médicos, os dados da pesquisa indicam que do ponto de vista do paciente e com base nos indicadores de resultados, a performance do cuidado de saúde americano é bastante deficiente”, disse o estudo. Os Estados Unidos já haviam ficado na última posição nos levantamentos realizados pela entidade em 2010, 2007, 2006 e 2004.

Segundo a entidade, a principal diferença entre os EUA e os outros dez países analisados é a ausência de um sistema de saúde público universal. O estudo do Commonwealth Fund indica que existe maior probabilidade de americanos de baixa renda não consultarem um médico, não realizarem exames e não comprarem remédios em razão do custo do que pessoas nas mesmas condições nos outros dez países analisados. “Em cada um desses indicadores, um terço ou mais dos adultos de baixa renda dos EUA disseram ter ficado sem o cuidado necessário por causa dos custos no ano passado”, afirma o estudo.

Em razão desse cenário, os Estados Unidos apresentam um índice mais elevado que os outros dez países de mortalidade evitável por cuidados médicos e mortalidade infantil. Também registra uma menor expectativa de vida saudável aos 60 anos.

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