Expo 2010 leva o mundo a Xangai

Expo 2010 leva o mundo a Xangai

Cláudia Trevisan

27 de abril de 2010 | 06h40

Maior aglomerado urbano da China, Xangai vai se transformar a partir do próximo sábado em um enorme centro global de reflexão e troca de experiências sobre as cidades, seus problemas e os caminhos para enfrentá-los. No dia 1º de maio será aberta a edição 2010 da Exposição Mundial, que será a maior já realizada na história, com a participação de 190 países e 50 organizações internacionais e empresas.

Durante seis meses de duração, a Expo 2010 deverá atrair 70 milhões de visitantes _quase 400 mil por dia_ e abrigar 20 mil atividades, entre seminários, debates e performances culturais.

O grande tema que vai nortear o evento é “Cidade Melhor, Vida Melhor”. Neste século, pela primeira vez na história da humanidade, há mais pessoas vivendo em áreas urbanas do que rurais. Segundo o Bureau International des Expositions, que desde 1928 é responsável pela regulamentação do evento, a principal pergunta que a Expo 2010 deverá responder é: “Como nós podemos explorar o enorme potencial das cidades para o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios colocados por elas?”.

A questão será discutida nos pavilhões, em seminários e no fórum que encerrará o evento, em outubro, no qual será aprovada a “Declaração de Xangai”, com os resultados das trocas de experiências dos seis meses anteriores. O fórum será realizado no pavilhão da Organização das Nações Unidas (ONU) e deverá apresentar uma visão global para o desenvolvimento urbano e a cidade do futuro.

Xangai foi a primeiro centro de um país em desenvolvimento a ser escolhido para sediar uma Exposição Mundial. Desde 2001, quando a decisão foi anunciada, o governo chinês trabalha para que a Expo 2010 seja a maior de todos os tempos, tanto em número de participantes quanto de visitantes.

O parque da exposição foi construído em uma área de 5,28 quilômetros quadrados, onde há 46 pavilhões individuais de países, entre os quais o Brasil, e pavilhões coletivos de regiões que não tinham dinheiro para bancar sua participação, como a África. Além disso, há pavilhões temáticos, de empresas e os que são destinados a atividades específicas, como seminários e apresentações culturais.

A discussão das questões urbanas será concentrada em sete pavilhões dedicados às Melhores Práticas Urbanas, nos quais serão apresentadas experiências bem-sucedidas de todo o mundo.

O tópico também será o centro do gigantesco Pavilhão Temático, que apresentará a relação entre seres humanos e as cidades em todo o planeta em cinco subseções: Cidadãos Urbanos, Seres Urbanos, Planetas Urbanos, Pegadas Urbanas e Sonhos Urbanos.

Nesse mar de construções, será acirrada a concorrência para atrair visitantes, a maioria dos quais será de chineses _a expectativa é que “apenas” quatro milhões dos 70 milhões aguardados sejam estrangeiros.

O Brasil vai lançar mão do futebol, o elemento que os chineses associam imediatamente ao país. Na fachada do pavilhão haverá uma enorme tela interativa na qual os visitantes poderão “jogar” futebol com seus celulares. O local também servirá para exibição de jogos do Brasil na Copa do Mundo, que coincidirá com um período da Expo 2010.

Com o tema “Cidades Pulsantes”, o pavilhão utiliza filmes e painéis digitais interativos para dar um panorama da cultura, da economia, das cidades e dos destinos turísticos brasileiros. “Essa vai ser uma das mais completas participações do Brasil em eventos internacionais de grande porte”, afirma o diretor do pavilhão, Pedro Wendler.

Na sala de entrada, serão projetados vídeos sobre regiões e cidades brasileiras, em uma parede curva que forma uma espécie de semitúnel.

O destino seguinte é a Sala da Alegria Brasileira, onde há uma parede curva de 180 graus, na qual serão mostrados filmes sobre as festas regionais brasileiras, o Carnaval e o futebol, nos estádios que irão sediar a Copa de 2014.

O coração do pavilhão é a Sala das Cidades Pulsantes, na qual os visitantes assistirão simultaneamente a quatro filmes de oito minutos sobre o quotidiano de brasileiros, projetados nas paredes internas de um quadrado suspenso que ocupa o centro da sala.

Os personagens são um engenheiro da Embraer, um trabalhador em plataforma da Petrobras, uma música e um fazendeiro. No piso, são projetadas imagens aéreas de grandes cidades brasileiras.

A participação na Expo 2010 custou ao país R$ 50 milhões, entre recursos públicos e privados. O pavilhão tem 2.000 metros quadrados e uma localização privilegiada: ele está em frente aos dos Estados Unidos, o que mais desperta a curiosidade dos chineses de acordo com pesquisa realizada pelo governo local.

 Mas o pavilhão  que promete provocar o maior impacto é o da Inglaterra, no centro do qual está a “Catedral de Sementes”, um objeto que tem o formato de um cubo com as bordas arredondadas. Em sua superfície, foram “espetados” 60 mil estreitos tubos transparentes com 7,5 metros de comprimento, dentro dos quais há sementes de milhares de plantas encontradas no planeta. Durante o dia, esses tubos funcionarão como fibras óticas que iluminarão o interior do local. À noite, eles transmitirão luz de dentro para fora do edifício, iluminando o seu exterior.

Desenhado por Thomas Heatherwick, o pavilhão britânico é aberto e se espalha no espaço ao redor da Catedral de Sementes. O formato da área parece um papel de presente aberto e simboliza o fato de que o local é um presente da Inglaterra para a China.

Aí vão algumas fotos:

 

A Catedral de Sementes da Inglaterra - Cláudia Trevisan/AE

A Catedral de Sementes da Inglaterra - Cláudia Trevisan/AE

 

Fachada tem 60 tubos transparentes - Cláudia Trevisan/AE

Fachada tem 60 tubos transparentes - Cláudia Trevisan/AE

 

Dentro dos tubos há sementes - Cláudia Trevisan/AE

Dentro dos tubos há sementes - Cláudia Trevisan/AE

 

O pavilhão brasileiro - Cláudia Trevisan/AE

O pavilhão brasileiro - Cláudia Trevisan/AE

 

O pavilhão da Holanda - Cláudia Trevisan/AE

O pavilhão da Holanda - Cláudia Trevisan/AE

 

A França vai realizar

A França vai realizar "casamentos" românticos - Cláudia Trevisan/AE

 

O pavilhõa da Espanha - Cláudia Trevisan/AE

O pavilhão da Espanha - Cláudia Trevisan/AE

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