Fog or smog? Pequim vive crise de poluição do ar

Cláudia Trevisan

13 de dezembro de 2011 | 08h13

O governo de Pequim finalmente reconheceu o que era evidente na pesada nuvem esbranquiçada que assombra a cidade há dias: a capital chinesa enfrenta uma crise de poluição, que só será solucionada com o corte de emissões. A posição oficial parece ter colocado fim ao debate que mobilizou os internautas locais nas últimas semanas, sintetizado por uma ótima rima em inglês: “fog or smog?”, algo como “neblina ou poluição?”.

Enquanto os dados oficiais indicavam um grau leve poluição na semana passada, a medição independente feita pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim _e divulgada no Twitter_ acusava um grau “perigoso” de contaminação. A diferença é que os norte-americanos detectam partículas iguais ou inferiores a 2,5 micrômetros, que são extremamente finas e penetram mais profundamente nos pulmões. As autoridades locais medem apenas as que têm tamanho de 2,5 a 10 micrômetros.

Para quem vive há quase quarto anos em Pequim é alarmante saber que a incidência de câncer de pulmão na cidade aumentou 60% na última década, ainda que o percentual de fumantes tenha se estabilizado. A principal vilã é a poluição, que está nos piores níveis desde 2008. Na semana passada, a densa névoa levou ao fechamento de estradas e ao cancelamento ou atraso de centenas de voos.

O debate chegou ao jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, sob o título “Exposição à poluição é perigo severo”. Zhong Nanshan, da Academia Chinesa de Engenharia, disse que se nada for feito, a poluição poderá substituir o fumo como principal fator de risco para o câncer de pulmão. Shi Yuankai, vice-presidente do Hospital do Câncer da Academia Chinesa de Ciências Médicas, concorda: “Mesmo que consigamos estabilizar a taxa de fumo no país, o câncer de pulmão deve continuar a crescer por 20 a 30 anos e a poluição do ar deverá ser o principal responsável”.

Depois disso, passei a considerar seriamente a possiblidade de comprar um purificador de ar, mas ele não resolve a situação quando estou fora de casa, já que está longe de ser algo portátil. Para me proteger da poluição, teria que usar máscara. O problema é como sair de casa sem parecer uma versão humanizada de Darth Vader _as que têm eficácia contra a poluição são uns trambolhos pretos que cobrem quase todo o rosto. Apesar do choque estético, vejo um número cada vez maior de pessoas nas ruas da cidade com o monstrengo.

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