Com site de buscas, Pequim aumenta controle da internet

Cláudia Trevisan

14 de agosto de 2010 | 07h55

 O governo chinês deu mais um passo para aumentar seu controle sobre a internet, com o anúncio da criação de um site de buscas que será operado pelas megaestatais China Mobile e Xinhua. A primeira é a maior empresa de telefonia celular do mundo, com 550 milhões de clientes. A Xinhua é a agência de notícias controlada por Pequim, que tem a função de refletir estritamente o que pensam e querem os dirigentes do Partido Comunista.

O anúncio foi realizado na quinta-feira, quase cinco meses depois de o Google ter transferido seu site de buscas em chinês de Pequim para Hong Kong, em protesto contra o aumento da censura e a atuação de hackers. Com a decisão, a empresa norte-americana deixou de praticar a autocensura imposta pela China a todos os sites que operam a partir do país. Mas as buscas continuam a passar pelo filtro da censura e as páginas relacionadas a temas “sensíveis” são bloqueadas.

As autoridades chinesas intensificaram nos últimos dois anos a censura na rede e não escondem sua intenção de ampliar ainda mais os controles sobre os 420 milhões de internautas, a maior população online do mundo. Site como Youtube, Facebook e Twitter são bloqueados no país, assim como informações relacionadas ao dalai lama e tibetanos exilados, independência de Xinjiang, defesa de reformas democráticas, falun gong e uma long lista atualizada constantemente pelos censores de Pequim.    

O Partido Comunista vê o controle da opinião pública como uma das principais ferramentas para garantir sua sobrevivência no poder. Todos os meios de comunicação do país são submetidos à censura e grande parte deles é de propriedade do Estado ou do Partido Comunista.

No anúncio do novo site de buscas o vice-presidente da Xinhua, Zhou Xisheng, disse que a iniciativa faz parte dos esforços do governo de “preservar a segurança da informação e promover o desenvolvimento robusto, saudável e ordenado de uma nova indústria de mídia na China”.

Ao contrário do que muitos esperavam, a internet não parece ameaçar a dominação do Partido Comunista, diz Rebecca MacKinnon, do centro sobre políticas para a tecnologia da informação da Universidade Princeton. “Os americanos têm essa suposição de que regimes não-democráticos não podem sobreviver à internet e eu acredito que isso é ingênuo. O Partido Comunista da China pretende sobreviver à era da internet e tem uma estratégia para isso. Por enquanto, está funcionando.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: