Israel fala em desmilitarizar Gaza e guerra parece distante do fim

Cláudia Trevisan

31 Julho 2014 | 17h06

Menos de 24 horas depois de mais uma escola da ONU ter sido atingida em Gaza, Israel deixou claro que está longe de concluir sua operação militar contra o Hamas, que já provocou a morte de 1.400 palestinos, 70% das quais civis, e deixou outros 7.000 feridos. O governo de Tel-Aviv anunciou a convocação de 16.000 reservistas, os Estados Unidos confirmaram que forneceram munição adicional ao país e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a ação é apenas a primeira fase do processo de desmilitarização de Gaza buscado por seu governo.

A ofensiva tem com apoio quase unânime dos judeus de Israel, que representam 75% da população do país. Pesquisa divulgada nesta semana mostrou que mais de 90% deles são favoráveis à operação militar e apenas 3% acreditam que houve uso excessivo de força contra o Hamas. O número de vítimas do lado palestino é 60 vezes maior ao registrado do lado israelense, que perdeu 56 soldados e 3 civis no conflito.

O forte apoio da população local à ofensiva militar parece estar levando Netanyahu a ampliar o escopo da operação. Além de destruir a rede de túneis construída pelo Hamas, o primeiro-ministro começou a defender a desmilitarização de Gaza, processo que exigiria uma ação de longo prazo, na qual a única certeza é o aumento no número de vítimas civis do lado palestino.

“Nós atingimos duramente milhares de alvos terroristas: centros de comando, estoques de arsenais, locais de produção e áreas de lançamento e centenas de terroristas foram mortos”, disse Netanyahu em reunião do Gabinete Israelense nesta quinta-feira. “Essas conquistas e a neutralização dos túneis são apenas o primeiro estágio da desmilitarização da Faixa de Gaza.”

Mas os disparos de Israel não destruíram apenas instalações do Hamas. Na quarta-feira, 20 pessoas morreram na explosão de uma escola da ONU mantida no território. Foi a sexta escola da instituição a ser atingida em Gaza desde o início do conflito, no dia 8 de julho. A ONU responsabilizou Israel pelo ataque e disse ter informado inúmeras vezes ao país as coordenadas do local, onde 3.300 civis buscavam se proteger.

A munição extra fornecida pelos americanos a Israel veio de um estoque que os EUA mantêm no país para emergências. A solicitação foi apresentada no dia 20 de julho e aprovada três dias mais tarde, segundo o governo de Washington. “Os Estados Unidos estão comprometidos com a segurança de Israel e é vital para o interesse nacional dos EUA ajudar Israel a desenvolver e manter uma forte capacidade de autodefesa imediata”, disse na quarta-feira o porta-voz do Pentágono, John Kirby. Segundo ele, a recente venda de munição é “consistente” com esses objetivos.

Hoje (quinta-feira), o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, declarou que o ataque à escola da ONU é “totalmente inaceitável e indefensável”. Citando investigação da ONU que responsabiliza Israel, ele observou que “parece não haver dúvidas” sobre a origem da artilharia envolvida no bombardeio. “Está claro que precisamos que nossos aliados de Israel façam mais para estar à altura dos padrões que eles adotaram para si próprios”, ressaltou.

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