Jeb lança candidatura e promete política externa agressiva

Cláudia Trevisan

15 de junho de 2015 | 18h08

Com a promessa de uma política externa agressiva que contemple o fortalecimento dos laços com Israel e o endurecimento em relação a Cuba, Jeb Bush lançou ontem de maneira oficial sua candidatura à presidência dos Estados Unidos. Seu nome se une ao de outros nove republicanos que já anunciaram a intenção de disputar a eleição de 2016, no mais competitivo e diverso processo de seleção da história recente da legenda.

“Nós vamos fazer com que os eventos do mundo se movam do nosso jeito de novo”, declarou Bush em discurso realizado em uma universidade de Miami, o Estado que governou de 1999 a 2007. Além de música latina, uma apresentadora hispano-americana e exilados cubanos, o evento foi marcado pela ausência dos dois Bush que comandaram os EUA em 12 dos últimos 26 anos.

Preferido da ala tradicional do partido, Jeb tenta se dissociar de seu irmão, George W. Bush, que iniciou uma das guerras mais impopulares entre os americanos, a do Iraque, e viu o país mergulhar na mais severa crise econômica em sete décadas. A intenção fica explícita no símbolo escolhido para sua campanha: “Jeb!”. A sigla que se transformou no primeiro nome do irmão mais novo de George W. é formada pelas iniciais de John Ellis Bush, como foi batizado há 62 anos.

Sem a presença dos dois ex-presidentes, o clã Bush foi representado pela matriarca Barbara, que aos 90 anos continua a ser uma das mais admiradas entre as mulheres que desempenharam o papel de primeiras-damas dos EUA.

Casado com uma mexicana, Columba, e convertido ao catolicismo, Jeb usou seu espanhol fluente para pedir que a comunidade hispânica nos Estados Unidos se junte à sua campanha. Em uma tentativa de seduzir um eleitorado tradicionalmente democrata, prometeu realizar uma reforma do sistema de imigração por lei aprovada no Congresso e não por decreto, como fez o presidente Barack Obama.

A decisão do democrata de suspender deportações de parte dos 11 milhões de imigrantes que vivem de maneira ilegal nos Estados Unidos foi contestada nos tribunais e aguarda um julgamento final sobre sua aplicação.

A posição simpática aos imigrantes é uma das que podem dificultar sua aprovação entre os eleitores das primárias do Partido Republicano, mais conservadores do que os que comparecerão às urnas em novembro de 2016. Muitos deles o consideram excessivamente liberal para representar a legenda.

Mesmo tentando se dissociar do pai e do irmão, Jeb pode ser beneficiado de sobrenome, associado ao poder dentro do Partido Republicano. A última vez em que a legenda chegou à Casa Branca sem ter um Bush na chapa presidencial foi 1972, com a eleição de Richard Nixon. Bush pai foi vice de Ronald Reagan de 1981 a 1989 e o substituiu na presidência, por apenas um mandato. O irmão de Jeb, George W. Bush, venceu a eleição em 2001 e ficou na Casa Branca por oito anos, até a eleição de Barack Obama.

Apesar de não se referir a nenhum dos dois pelo nome, Jeb disse ter sido apresentado pela primeira vez a um presidente no dia em que nasceu e ao segundo quando chegou em casa da maternidade –uma licença poética, já que nenhum dos dois Georges havia chegado ao comando do país quando o pré-candidato republicano nasceu.

Caso Bush seja o escolhido de seu partido, é provável que ele enfrente a representante de outra linhagem política do lado democrata: Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, que governou entre os dois Georges. Ela também optou por usar seu primeiro nome em seu símbolo de campanha: “Hillary”. Nisso, ambos se diferenciam da prática dos EUA, onde os políticos são conhecidos por seus sobrenomes.