Lula e o estranho caso da pequena Embaixada do Brasil em Pequim

Cláudia Trevisan

21 de maio de 2009 | 09h02

Ante de encerrar sua rápida visita à China, o presidente Lula criticou o pequeno número de diplomatas da Embaixada do Brasil em Pequim, como se a decisão de aumentá-lo não dependesse de seu próprio governo. Segundo ele, a diminuta representação nacional na terceira maior economia do mundo e agora principal destino das exportações do Brasil decorre da tradição do país de “pensar pequeno” e da ausência de uma estratégia de inserção no mundo.

Lula assumiu a presidência em 2003 e, desde 2005, a China está entre os três principais parceiros comerciais do Brasil. Apesar disso, o Brasil tem uma lotação de apenas 12 diplomatas em Pequim, incluindo o embaixador, número idêntico ao de Moscou, capital de um país que ocupa o décimo lugar entre os destinos das exportações nacionais. Dessas 12 vagas, apenas nove estão ocupadas. A cifra equivale a pouco mais da metade da lotação de Paris e é inferior à da Itália, países que ocupam o 13º e o 9º lugares, respectivamente, no ranking das vendas nacionais.
Além disso, essas duas cidades européias contam com consulados gerais, que cuidam dos processos de emissão de vistos e da assistência a brasileiros. Em Pequim, esse trabalho é feito pela embaixada. O consulado de Paris tem quatro diplomatas e de Roma, três.

A lotação da embaixada em Pequim é de 12 pessoas, mas foram poucos os períodos em que todas as vagas estiveram preenchidas. O número de diplomatas deve subir para 11 nas próximas semanas, o que deixará a embaixada do Brasil em Pequim com um tamanho comparável à da representação da Venezuela, cujo PIB equivale a um quinto do PIB brasileiro.

Mesmo com o aumento, o número está longe de atender a demanda de um país que ganhou o peso que a China tem para o Brasil e o mundo. Com a sobrecarga de trabalho, não é possível destacar um diplomata para cuidar exclusivamente de promoção comercial, por exemplo, uma área fundamental para o setor privado.

A China caminha para se tornar a maior potência comercial do globo e teve no ano passado um volume de importações de US$ 1,1 trilhão, mais de cinco vezes o total das exportações brasileiras. Todos os países com pretensões de aumentar suas vendas ao país mantêm na China equipes encarregadas de buscar mercados e abrir o país a seus produtos.

O esforço de promoção comercial vai ganhar algum fôlego com a abertura em Pequim do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), que terá um diretor, César Yu, e mais quatro funcionários. Mas o número é minúsculo quando comparado ao escritório de promoção comercial que a China possui no Brasil, o China Trade Center, que tem cem funcionários atuando nos dois países.

Desde que assumiu o cargo, em outubro, o embaixador Hugueney acelerou o preenchimento dos postos vagos e solucionou o problema dos atrasos na concessão de vistos, que começavam a atrapalhar os investimentos e o comércio bilateral. Muitos empresários estavam desistindo de viajar ao Brasil em razão da demora na obtenção do visto, que podia chegar a um mês. A situação deverá melhorar também com a abertura do consulado do Brasil em Cantão, no sul da China, na província que concentra grande parte das empresas exportadoras e onde está a maior comunidade de brasileiros no país asiático. Mas o tamanho absolutamente inadequado da embaixada parece estar longe de uma solução.

Abaixo está uma lista de alguns postos no exterior que têm lotação superior aos 12 de Pequim:

Assunção (Paraguai) – 17, sem contar 3 do consulado geral
Berlim (Alemanha) – 15
Bogotá (Colômbia) – 13
Londres (Inglaterra) – 14, mais 4 do consulado geral

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