Mercado de carros brasileiro deve ficar estagnado em 2012

Cláudia Trevisan

24 de abril de 2012 | 12h49

Apesar da queda na taxa de juros, a redução nos prazos de financiamento deverá conter a expansão do mercado automobilístico brasileiro em 2012, que fechará com vendas semelhantes às do ano passado, avaliaram ontem os representantes das duas montadoras chinesas com maior presença no país.

“Para o consumidor brasileiro, prazo é mais importante que os juros”, disse ontem Luis Curi, CEO da Chery Brasil, que está em Pequim para participar da Auto China 2012, a maior exibição de carros do país, que acontece a cada dois anos. Sergio Habib, presidente da JAC no Brasil, concorda: “As taxas caíram, mas o prazo diminuiu, o que aumentou as parcelas que os consumidores devem pagar a cada mês”.

Segundo eles, os financiamentos de até 60 meses que aqueceram as vendas até o ano passado deixaram de existir. O máximo agora são 48 meses. As marcas que os dois executivos representam também foram afetadas pelo aumento do IPI sobre carros importados anunciado pelo governo no ano passado. Ambos abandonaram as estimativas otimistas de aumento de vendas que tinham anteriormente, mas ainda esperam resultados melhores que os de 2011. Curi cortou sua projeção de 60 mil para 30 mil unidades, um aumento de 20% em relação ao ano passado. Habib esperava vender 50 mil carros e agora conta com algo entre 30 mil e 35 mil _comparados a 27 mil em 2011.

Zhou Bi Ren, presidente da Chery International, disse que o Brasil é um mercado prioritário para a empresa, que aposta em outros países em desenvolvimento, como Irã, Rússia, Venezuela, Iraque, Ucrânia e Egito. “Nós somos uma companhia nova e começamos com os países em desenvolvimento, mas esperamos em breve entrar na Europa e na América do Norte”, afirmou.

O executivo chinês não quis comentar o aumento do IPI, mas ressaltou que a decisão foi adotada de maneira “súbita” pelo governo brasileiro. A empresa espera a conclusão de sua fábrica em Jacareí (SP) para aumentar sua fatia no mercado doméstico. Para manter as vendas, a Chery decidiu não aumentar os preços, apesar de o IPI equivaler a um Imposto de Importação de mais de 50%. Mas por isso, não poderá ser muito agressiva na expansão das vendas dos carros importados da China. “Se eu vendo menos, eu perco menos”, observou Curi.

A fábrica deverá estar concluída em setembro de 2013 e começará a produzir 50 mil veículos/ano, até atingir a capacidade máxima de 150 mil unidades/ano em 2015. A JAC espera iniciar a construção de sua planta em outubro e novembro e espera produzir em 2014. “Quem quiser vender no Brasil, tem que ter fábrica”, ressaltou Habib.

Mesmo com o aumento de custo decorrente do IPI, as duas empresas planejam lançar novos modelos no mercado brasileiro neste ano. A Chery começará a vender em setembro o hatch Celer, que já chegará com motor flex e custará entre R$ 37 mil e R$ 39 mil. As novas apostas da JAC serão o J2, um carro menor que os comercializados hoje pela montadora no Brasil, e um VUC (veículo urbano de carga), que é um caminhão pequeno, que pode circular nas cidades.

Recém-chegadas ao mercado nacional, as duas empresas têm fatia inferior a 1% das vendas totais, mas esperam elevar o percentual em pouco tempo. A Chery, maior exportadora de carros da China, acredita que chegará a 3% em 2015, quando o mercado brasileiro poderá atingir a marca de 5 milhões de unidades/ano. Com a fábrica para 100 mil carros/ano, a JAC espera conquistar de 2% a 2,5% das vendas totais.

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