Mesmo com tiroteios, leis dos EUA ampliam porte de armas

Cláudia Trevisan

17 de dezembro de 2013 | 12h30

Depois que 20 crianças e seis adultos foram mortos há um ano em mais um tiroteio em massa nos Estados Unidos, parecia que os americanos estavam prontos a dar um basta no excesso de liberalidade das regras sobre a venda de armas no país, pelas quais uma pessoa de 18 anos pode comprar um rifle ou um revólver, ainda que seja proibida de pagar por uma cerveja.

Nos meses que se seguiram à tragédia da escola Sandy Hook, em Connecticut, houve uma ebulição de propostas nos Poderes Legislativos estaduais em torno do assunto, com a apresentação de 1.500 projetos de lei. Desses, 109 se tornaram lei. Mas a maioria delas, 70 no total, reduz ainda mais os já tênues controles sobre a posse de armas. Apenas 39 aumentam as restrições.

As 20 crianças assassinadas a tiros em Sandy Hook tinham entre 6 e 7 anos de idade. Eram 12 meninas e oito meninos. Sob o impacto da tragédia, o presidente Barack Obama apresentou proposta que ampliava a verificação dos antecedentes dos que pretendessem comprar armas.

Longe de ser radical, o projeto tinha o modesto objetivo de evitar que rifles semiautomáticos e afins caíssem nas mãos de pessoas condenadas por crimes, incluindo atos de violência doméstica, ou que tivessem um histórico de problemas mentais. A proposta foi enterrada em abril, quando recebeu o aval de 54 dos 100 senadores do país, seis a menos que os 60 necessários para sua aprovação.

O passional debate em torno do assunto é um daqueles de difícil digestão pelos forasteiros e por muitos americanos frustrados com a eficácia do lobby pró-armas da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), que resiste até mesmo às tímidas tentativas de limitar o setor. A defesa do porte de rifles, revólveres, pistolas e afins tem base na Segunda Emenda à Constituição, de acordo com a qual esse direito não pode ser violado pelo Estado.

Em uma versão contemporânea dos saloons dos faroestes americanos, o Starbucks pediu em setembro que seus clientes deixem suas armas em casa quando forem a uma de suas 11 mil lojas nos Estados Unidos. Não que a maioria dos americanos ande pelas ruas com seus revólveres na cintura, mas o fato de que a maior rede de cafés do país tenha se sentido compelida a divulgar uma política desse tipo revela o quão costumeira é a prática, especialmente no interior.

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