Mico na floresta

Cláudia Trevisan

18 Setembro 2011 | 06h39

“Você é a brasileira? Nós nunca tivemos visitantes brasileiros aqui.” Logo descobriria o por quê. Vinda do país que tem a maior floresta tropical do mundo, o que eu estava fazendo no pouco que resta de floresta tropical da Malásia? Pouco antes de chegar ao Vale Danum, na ilha de Bornéu, eu havia encontrado um casal de holandeses, maravilhados com o lugar. “Lovely!”, ela exclamou. “Very special”, acrescentou o marido. Comecei a suspeitar de minha decisão na estrada de terra para o resort encravado na floresta. O cenário era extremamente familiar, não muito diferente do que eu já vi inúmeras vezes no Brasil. Para europeus deve ser extremamente exótico, mas para nós????

Estando no meio da floresta tropical, eu esperava ver macacos por todos os lados e uma população muito maior de sapos e insetos. Mas eles estavam escondidos na mata e nem sempre dispostos a agradar os visitantes. Consegui ver uns seis macaquinhos, pendurados em árvores distantes e só depois de muita busca e concentração _e pensar que no Rio eles aparecem nas varandas de apartamentos da Lagoa Rodrigo de Freitas.

A grande estrela de Bornéu é o orangotango e conseguir ver um amenizou um pouco a sensação de estar desperdiçando minhas férias em um lugar demasiadamente familiar. Vi apenas um, mas a experiência foi comovente e reveladora. A grande surpresa foi descobrir que orangotangos fazem ninhos e o que eu vi trabalhava em um deles naquele momento, quebrando galhos que estavam ao redor e os acomodando em uma cama imaginária. No fim, ele pegou um galho bem frondoso e cobriu o rosto, o que lhe deu um ar terno de desproteção. Segundo o guia que nos acompanhava, todos fazem isso quando se preparam para dormir. Também aprendi que os orangotangos são criaturas solitárias. Os machos vagam de árvore em árvore construindo ninhos e as fêmeos ficam com os filhotes até eles aprenderem a se defender e sobreviver, quando partem para suas próprias vidas solitárias.

Creio que meu pouco entusiasmo pela expedição foi reforçado pelas longas explicações sobre os diferentes tipos de árvores, plantas e flores, acompanhados dos nomes científicos, das propriedades e da utilidade caso eu me encontre diante do pouco provável desafio de ter que sobreviver sozinha na floresta, como os orangotangos.

A mais divertida experiência foi o banho de cachoeira. Nada especial no banho em si, mas sim nos peixes que comem pele humana. É uma espécie de terapia natural de renovação da pele, na qual os peixes se encarregando de retirar a que já está morta. O começo é estranho, para dizer o mínimo, mas logo minhas pernas e pés estavam cercados de peixes que me mordiam avidamente. “Lovely!, diria a holandesa.