Milhares protestam em NY depois que mais um policial se livra de processo por morte de negro desarmado

Cláudia Trevisan

04 de dezembro de 2014 | 02h03

Milhares de manifestantes ocuparam diferentes áreas de Manhattan na noite de quarta-feira para protestar contra a decisão de um grande júri de isentar um policial branco de responsabilidade pela morte de um homem negro desarmado, a segunda decisão do tipo nos Estados Unidos em nove dias. Na semana passada, um grande júri decidiu que não havia elementos suficientes para o início de um processo criminal contra o policial envolvido na morte de Michael Brown, de 18 anos.

Enquanto há diferentes versões para as circunstâncias da morte de Brown, o encontro de Eric Garner com a polícia foi registrado em vídeo. As imagens mostram o homem de 43 anos ser abordado por oficiais à paisana por vender cigarros de maneira irregular, sem o pagamento de impostos. Depois de um breve discussão, um dos policiais passa seu braço ao redor de seu pescoço e o atira ao chão. Com quase 160 quilos, Garner é imobilizado por cinco policiais, enquanto repete 11 vezes “eu não posso respirar”. Com seis filhos, ele morreu em seguida.

Pouco antes das 23h (2h00 no Brasil), centenas de pessoas se sentaram na Times Square, no coração de Manhattan, gritando a que se tornou a principal palavra de ordem das manifestações: “Eu não posso respirar”. Antes, manifestantes haviam paralisado o trânsito na West Side Highway, a auto-estrada que vai de norte a sul de Manhattan, do lado oeste da ilha. Também houve protestos em Columbus Circus, na Union Square e na Grand Central Station.

“Essa luta não chegou ao fim. Ela apenas começou. Estou determinada a conseguir justiça para o meu marido”, disse a viúva de Garner, Esaw. “Ele não deveria ser morto daquela maneira. Ele não deveria ser morto de nenhuma maneira.” Os dois estavam casados havia 27 anos.

Garner morreu no dia 17 de julho, três semanas antes de Brown morrer com seis tiros em Ferguson, Missouri. Ambos são as mais visíveis vítimas de uma série de casos em que homens negros desarmados morreram vítimas da ação de policiais neste ano.

Quatro dias antes do caso de Ferguson, John Crawford, de 22 anos, foi morto a tiros pela polícia dentro de um Wal-Mart em Ohio, onde é possível comprar vários tipos de armas. Crawford havia pego um rifle de ar comprimido, que não tem potência para matar seres humanos, e estava na sessão de videogames quando foi atingido no peito.

Dois dias depois da morte de Brown, um negro de 25 anos com problemas mentais  foi morto a tiros pela polícia em Los Angeles. Ezell Ford foi abordado por dois policiais e levou um tiro nas costas. Os oficiais sustentaram que, depois de ter sido colocado no chão, Ford teria tentado pegar a arma de um deles e acabou atingido pelo outro.

Dante Parker tinha 36 anos, cinco filhos e trabalhava na gráfica do jornal de Victorville, na Califórnia. No dia 12 de agosto, ele foi parado por dois policiais que investigavam um furto em uma casa da região. Parker estava desarmado. Segundo a polícia, ele teve uma postura “combativa” quando agentes tentaram detê-lo, o que os teria obrigado a usa um taser, arma que emite choques elétricos. O gráfico, que não tinha antecedentes criminais, recebeu várias descargas e morreu horas depois.

Na semana passada, um adolescente de 12 anos foi morto a tiros em um parque de Cleveland quando brincava com uma arma de brinquedo. Respondendo a um chamado anônimo, o oficial sai da viatura policial e atira de maneira imediata em Tamir Rice, que morreu no local. A cena foi registrada por um câmera de segurança.