O drama foi tão agudo que virou do avesso

Cláudia Trevisan

09 de julho de 2014 | 00h48

Por momentos me perguntei se estava assistindo à semifinal da Copa no Brasil ou a uma neochanchada com 11 coadjuvantes. Depois que a Alemanha fez o terceiro gol, tudo ganhou um ar de pastelão, de exagero irreal típico dos filmes mudos, nos quais os gestos e situações têm de ser extremos e explícitos para não haver dúvida sobre seu significado. O drama foi tão agudo que virou do avesso. Tudo parecia tão fora de lugar que era inevitável não rir.

O bom do mundo hiperconectado é que não foi preciso esperar o psicodrama pós-jogo para ouvir a genialidade do humor brasileiro em ação. O troféu de menções nas redes sociais vai para o anônimo que colocou a seleção alemã à frente da Volkswagen no ritmo de fabricação de Gols. Quatro deles ocorreram em um espaço de seis minutos, um recorde em mundiais.

“Imagina na Copa!” foi outro clássico instantâneo. Li em inglês, mas convenceria muito bem em português: “O único jeito de entender o que aconteceu é assistir em câmera lenta”. Eu vi o jogo e rabo de olho, dividida entre a TV e um texto sem nenhuma relação com o futebol na tela do meu computador. A primeira vez em que chequei o placar, ele estava 2×0. Quando voltei a olhar, 4×0. 5, 6, 7…

Mas foi impossível embarcar no dramalhão. “Neste momento de dor, presto solidariedade às famílias das vítimas”, declarava “Dilma” em mensagem colocada nas redes sociais. Na mesma pegada: “Os pessimistas tinham razão. Se todos nós tivéssemos apoiado o movimento ‘Não vai ter Copa’, não estaríamos passando por isso agora!”. E havia Tutty Vasques: “1) Pelo menos não vai ter Maracanaço! 2) Foi tão rápido que nem doeu! 3) A Argentina pode passar por isso na final!”
O tragédia é que o massacre dos alemães não encerrou a participação do Brasil no mundial mais caro da história. Ainda corremos o risco de amargar um humilhante quarto lugar. É recomendável começar já a produção de piadas.

Tudo o que sabemos sobre:

AlemanhaBrasilCopa do MundoHumor

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.