O futuro planejado

O futuro planejado

Cláudia Trevisan

17 de setembro de 2008 | 13h50

Entre as inúmeras sensações que assaltam uma brasileira na China está a profunda frustração com a situação do Brasil quando se compara a infra-estrutura nos dois países. Enquanto o Brasil ficou mergulhado em intermináveis crises econômicas nos anos 80 e 90, os chineses aceleraram a marcha da história e transformaram a paisagem do país, com a construção de estradas, portos, ferrovias e aeroportos.

A China prevê com antecedência as necessidades futuras de sua economia e constrói as obras antes que elas sejam necessárias. Mesmo com o crescimento de 10,6% ao ano nas últimas três décadas, ninguém fala em gargalo de “infra-estrutura”, que está entre as grandes ameaças a uma expansão significativa e sustentável do PIB brasileiro. Na China não há caos aéreo ou congestionamento de caminhões em portos. Pequim inaugurou no início do ano o maior aeroporto do mundo e antes mesmo que ele começasse a operar, anunciou que construirá um novo terminal até 2012.

Anteontem eu viajei a Xangai e desci no aeroporto de Pudong, uma região que não existia antes de 1990 e hoje tem uma população de 1,6 milhão de pessoas e é o centro financeiro da China. Do aeroporto, embarquei no Maglev, o trem de alta velocidade que percorre 30 km em oito minutos. Entre os mais rápidos trens do mundo, o Maglev é movido por impulso eletro-magnético e atinge a velocidade de 431 km/h. O trajeto entre o aeroporto e uma estação de metro de Pudong sai pelo equivalente a R$ 12,50.

Nos oito minutos de viagem, pensava de maneira recorrente no antiqüíssimo projeto de ligação do aeroporto de Cumbica a São Paulo de trem, que nunca sai do papel, e na crônica incapacidade do Brasil de se preparar para o futuro.

Aí vão as fotos do Maglev, construído com tecnologia alemã:

Plataforma do Maglev no aeroporto de Pudong

Passageiros do Maglev

Velocímetro em uma das cabines mostra o aumento da velocidade do trem

O trem e o trilho sobre o qual “flutua”

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