O museu que cultua Fidel, Che e a revolução

O museu que cultua Fidel, Che e a revolução

Cláudia Trevisan

20 de agosto de 2015 | 00h42

O Museu da Revolução de Havana é o centro do culto a Fidel Castro, Che Guevara e outros guerrilheiros que tomaram o poder em 1959. Também é onde a propaganda antiamericana impera, com referências à invasão da Baía dos Porcos por dissidentes treinados pela CIA, à crise dos mísseis de 1962 e à decisão dos EUA de romper relações diplomáticas com a ilha e impor um embargo econômico que dura até hoje, com consequências devastadoras para os cubanos.

Como qualquer museu de sistemas de partido único, ele tem só uma voz, a oficial, gritada de maneira grandiloquente nos cartazes que narram a luta armada contra Fulgência Batista e o período desde a chegada de Fidel ao poder. A narrativa celebra os logros nas áreas de saúde e educação, mas não chega aos dias de hoje. A história do Museu da Revolução acaba antes da debacle da União Soviética, em 1991, que jogou os cubanos em um dos mais difíceis períodos da história recente, com escassez de alimentos, bens de consumo e eletricidade.

“Consolidou-se o poder revolucionário sob uma aguda luta de classes alentada pelo imperialismo. O sistema político se definiu como uma ditadura do proletariado sob a direção de um partido de vanguarda”, diz um dos cartazes do museu, em referência ao período de 1961-1965.

Os grandes heróis da exibição são Fidel, Che e Camilo Cienfuegos, que morreu aos 27 anos em um acidente de avião, 10 meses depois da chegada dos revolucionários ao poder. Até hoje circula em Cuba a versão de ele foi assassinado a mando de Fidel, mas historiadores rechaçam a teoria conspiratória.

Ao lado do museu há um edifício envidraçado no qual é mantido o Granma, barco no qual Fidel e outros 81 rebeldes desembarcaram em Cuba, em 1953, vindos do México. Entre eles, estavam Che, Cienfuegos e Raúl Castro, que sucedeu o irmão no comando de Cuba em 2006.

O Museu da Revolução, com o tanque usado por Fidel na reação à invasão da Baía dos Porcos, em 1961

O Museu da Revolução, com o tanque usado por Fidel na reação à invasão da Baía dos Porcos, em 1961

Pintura que retrata a vitória sobre Fulgêncio Batista

Pintura que retrata a vitória sobre Fulgêncio Batista

Estátua de Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos

Estátua de Che Guevara, Fidel Castro e Camilo Cienfuegos

Estudantes no pátio central do Museu da Revolução

Estudantes no pátio central do Museu da Revolução

Vista de uma das janelas do museu

Vista de uma das janelas do museu

Edifício onde fica o Granma, barco usado por Fidel e 81 rebeldes em 1953

Edifício onde fica o Granma, barco usado por Fidel e 81 rebeldes em 1953