O temor dos sindicatos na China

Cláudia Trevisan

23 Setembro 2011 | 06h05

O Partido Comunista da China tem pânico de sociedade organizada, o que inclui sindicatos de trabalhadores, ONGs e até religião. Em tese, os operários teriam posição de destaque no comando no país comunista, mas na prática sua atuação e organização é totalmente controlada. Não existem sindicatos independentes na China. Todos são oficiais e ligados ao Partido.

O temor que o tema provoca ficou mais uma vez evidenciado nesta semana, quando o governo de Pequim pressionou o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China para que cancelasse uma palestra/entrevista com Geoffrey Crothall, do China Labout Bulletin, uma organização sediada em Hong Kong que se dedica ao estudo de questões trabalhistas na China.

O argumento foi o de que a entidade defende “sindicatos independentes” e representa uma “ameaça ao desenvolvimento econômico estável” do país. O Clube decidiu manter o evento, mas ele acabou cancelado por decisão de Crothall, em razão da oposição do governo chinês.

O assunto me veio à mente na quarta-feira, quando eu acompanhava em Pequim um “seminário teórico” entre o Partido Comunista da China e o Partido dos Trabalhadores do Brasil, que surgiu a partir do movimento organizado e independente de operários da região do ABC paulista. Se fosse tratado pelo mesmo critério aplicado a Crothall, o presidente do PT, Rui Falcão, também deveria ser considerado uma “ameaça”. Ai vai trecho do texto que apresentou durante o encontro: “O governo Lula fez cessar a perseguição aos movimentos sociais, reconheceu formalmente as centrais sindicais de trabalhadores e promoveu um diálogo permanente com as organizações do movimento sindical e popular, tornando-os protagonistas das políticas públicas”.