O terremoto visto do 20º andar

Cláudia Trevisan

12 de maio de 2008 | 15h03

Às 14h35 de hoje eu estava escrevendo em meu escritório e precisei de uma fração de segundo para perceber que experimentava o primeiro terremoto da minha vida. Continuei sentada e vi claramente o apartamento se mover na horizontal, como se um enorme monstro estivesse chacoalhando o prédio.

Do 20º andar, eu olhava pela janela e não conseguia distinguir sinais de pânico nas pessoas e carros que continuavam a se mover. Talvez a altura tenha potencializado a percepção de que a terra se movia. Além da surpresa, sentia uma sensação de enjôo, semelhante à que me acomete quando estou em barcos em alto mar. Aparentemente, é um sintoma comum, já que todas as pessoas com quem conversei depois do terremoto relataram a mesma sensação.

Como tudo parecia calmo da janela, comecei a ter dúvidas sobre se era mesmo um terremoto ou se meu prédio estava a ponto de desabar. Liguei para um amigo que mora do outro lado da rua e ele confirmou que a terra realmente havia se movido. Minutos depois, ele me ligou de volta e disse que todos os moradores estavam descendo para a rua, lugar mais seguro que os edifícios durante um terremoto. Quando nos reunimos diante do meu prédio, várias pessoas já estavam nas calçadas, à espera de orientação para voltarem a seus escritórios e casas.

Minha grande dúvida era como saber que o perigo havia passado. Alguém avisaria? Há um período máximo depois do qual o terremoto não se repete? Bem, ninguém fez nenhum comunicado oficial e as pessoas foram aos poucos retornando a seus prédios, o que interpretei como um sinal verde para voltar à casa. Até agora, 2h da manhã de terça-feira, tudo permanece sob controle _pelo menos em Pequim. O pior está a centenas de quilômetros de distância, na província de Sichuan, que foi o epicentro do terremoto e para onde irei daqui a poucas horas.

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